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segunda-feira, 16 de junho de 2025

INACABADO

A natureza expressa tanta beleza que o escritor navega na imaginação!

Sabe aqueles dias que nos encontramos um pouco chateados de quase tudo um pouco?
Pois bem, acordei com uma sensação estranha e não quis permanecer entre quatro paredes, resolvi sair para observar principalmente a natureza. No céu, havia uma lua gigante provocando a aurora boreal, cheia de cores iluminando o grosso gelo da terra. Mais adiante, uma família de ursos, eles estavam famintos há muitos meses mas continuavam fieis a esperar o retorno do amigo querido. Um deles, observou o voo rasante de uma garça que pousou linda e garbosa, ela estava testando as suas pequenas asas, daí, meu pensamento fez uma retrospectiva e bem que eu queria retornar ao passado ao menos num momento para rever aos que lá deixei, e declarar os meus sentimentos, porque as mudanças fazem parte da vida de qualquer espécie.
Ah, pensamentos, parece que você adivinhou, porque neste exato momento, lembrei-me de um episódio ocorrido...uma mãe saudosa e chorosa em forma de desabafos, um dia me procurou e fez-me ler as pequenas letras arredondadas, “...Filho, costumam dizer por aí que relembrar o passado é viver duas vezes e sofrer sei lá quantas. Estava vendo o álbum de fotos, repassando página por página desde seu nascimento, até os dias atuais, e quantas alegrias você trouxe para mim e para o seu pai! Lembrei também que quando nasceu eu vivia com você nos hospitais, sofrendo e sem lhe deixar um só segundo, jamais, pois entendo que mãe é mãe e muito mais do que isso. Os anos foram passando, aí você cresceu, nós o ensinamos tudo para que fosse um homem decente, não lhes faltou nada, pensávamos mais em você do que na gente. Foi para escola, aprendeu a ler, escrever, contar, e eu, sempre ao seu lado continuei, nas horas vagas brincávamos na rua com bola, de esconde-esconde, aprendi a jogar pião, bola de gude, pipa, amarrava cordão nos carrinhos, eu puxava um e você outro, brincamos até de boto, eu na frente a correr, e você correndo atrás. Ah, meu filho, bons tempos aqueles que não voltam mais! Então relembrei o tempo de minha infância, era de ignorância, mas disso não me arrependo, tinha tanta brincadeira que já nem lembro e hoje, o que resta é saudade. Estudei no colégio do governo porque não podia pagar mensalidades, e você, em colégio particular, me sacrifiquei o quanto pude para que você não deixasse de estudar. O caminho correto a seguir foi ensinado, mas se não aprendeu, ou não quis aprender, isso não é problema meu, é só seu. Lembre-se que passei por grandes dificuldades, e até a faculdade tranquei, muito tempo depois consegui terminar. Outra coisa, meu filho, suas asas cresceram, lhe ensinei a voar, dei exemplos da boa vivência e convivência, para não ver o barco afundar, e hoje, vivo na decadência mas sei que a minha consciência está tranquila, no entanto infelizmente só recebo cobranças das coisas que nunca fiz, mas se fiz ou deixei de fazer, foi para você aprender, consertei seus erros, o coloquei na linha para que respeitasse os cabelos brancos de sua mãe que está velhinha. A bênção, minha mãe! Ora, isso eu não ouço e nem vejo mais, porque esse foi seu desejo. Lembre-se do que sempre falei, que você só saberá o valor de uma mãe quando eu aqui na terra não existir mais, e pelo que eu saiba, você também tem filhos os quais não conheço, pense nisso, e quem sabe, um dia eu possa esquecer de tudo isso que passei lá atrás. Obrigada, meu filho...”
Na época que a referida mãe mostrou-me seus desabafos, eu chorei como um bezerro desmamado, e hoje tornei a chorar.
Não venham me dizer que o homem não chora porque isso é tabu. O homem verdadeiro que cultiva sentimentos benignos guardados no peito, chora sim, e por causa disso algumas pessoas me chamam de louco, porém, afirmo que não sou louco, por outro lado um pouco de loucura ou bom senso não fará mal para ninguém.
Eu sou um eterno apaixonado pela vida desprovido de alegorias, porque quero envelhecer com lucidez e sabedoria enchendo principalmente o meu coração de alegria venturosa, apesar de minha alma invernada.
Assim, continuei minha peregrinação até sentir que fui picado por algum inseto...Mas isso é outra história...

Mj, em 16/06/2025.

terça-feira, 14 de novembro de 2023

FLORES MORTAS

Se o sentido faz algum sentido, a guerra não tem sentido...
Momento enfadonho
Sem sentido
Terreno vazio
Ruído diferente
Sem significado
Medo medonho
Bombas atiradas
Barulho desgraçado
Crianças correndo
Coração estraçalhado
Tempo contado
Alterando rota
Flores morrendo
Sonho perdido

Mj, em 14/11/2023.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

RASTROS

Às vezes penso que na inquieta estrada,
Há um emaranhado de raízes
No constante isolamento do ser,
A desfilar sem ver os sinais do tempo
Na precoce realidade do pensamento inconstante,
Deixando refletir a obscuridade do sentimento,
Silenciando as curvas imprecisas
Que levam ao futuro da humanidade.
Mas diante da grandeza dos gestos,
Tudo não passa de uma doce ilusão
Perante a água que divide os dois polos
No itinerário da emoção sentida,
Bastando recordar os momentos vividos
Através dos rastros deixados no caminho...

Mj, em 20/01/2021.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

MENSAGEM NATALINA

Agradeça a dádiva do Criador do universo por ter a sua família ao redor da mesa, e não reclame de barriga cheia! Feliz Natal de luz! Um abraço.
A celebração do amor traz muita emoção para a humanidade quando o céu se cobre de luz e a estrela anuncia o nascimento do menino Jesus numa simples manjedoura revestida de capim, para alegrar assim a vida dos pequeninos.
Ao reunir os entes queridos ao redor da mesa, olhe em volta, veja se todos os lugares estão ocupados...
Então, não reclame de barriga cheia, agradeça ao Criador do universo pela dádiva de ter a sua família completa, pois nessa noite, reflita e pense na quantidade de famílias que estarão reunidas, mas com algum lugar vazio à mesa...
O importante não é ter a mesa farta quando sentirá a falta daquele ente querido...
Humildemente agradeço a todos por terem me aturado durante os 365 dias do ano!
FELIZ NATAL!
Que na sua mesa tenha um lugar reservado para o principal convidado da noite: JESUS!
Nesse mesmo tempo, época da virada, mais um ano se aproxima velozmente e cheio de magia com a certeza de que um novo dia renascerá de esperança podendo transformar a tristeza em alegria, luz, harmonia, amizade, saúde e felicidade, prosperando a paz no coração e transformando os sonhos em realidade!
FELIZ ANO NOVO!

Mj, em 19/12/2020.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

A MÁSCARA

Irmanados num só pensamento, vamos emitir vibrações positivas pelo nosso planeta! Conscientizem-se, #FIQUEMEMCASA! Boa noite. Um abraço virtual da Mj.

Improvisei minha máscara, não importa se ela é bonita ou feia, o importante é que me senti protegida. 

Assim, fui ao centro da cidade, aqui em Palmeira dos Índios, tinha assuntos pendentes para resolver e ninguém podia fazer isso por mim.
Acreditem, encontrei pouquíssimas pessoas usando máscara, e as que usavam, serviram de "mangação"...sem falar que alguns disseram que "não precisavam usar isso, pois não estavam doentes", fizeram, inclusive, menção ao carro "cata véio"...senti-me desolada com a situação.
Naquele momento, vi que a maioria da população palmeirindiense, apesar das inúmeras recomendações feitas pelos órgãos da saúde, do cuidado que o prefeito está tendo com os munícipes, e das orientações feitas através da mídia escrita e televisionada, não está preparada para enfrentar essa guerra silenciosa, levam na brincadeira...só Jesus na causa...
É sério, a COVID-19 está aí, podemos sentir, ver o estrago que ela causou e está causando no mundo...isso é só o começo...
O isolamento social é necessário...quem não aprende pelo amor, aprenderá pela dor...

Mj, em 06/04/2020.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

ENCHENTE

Senhor, obrigada por mais uma oportunidade, pois há um novo recomeço em cada amanhecer, e para você que ler os meus escritos, #FIQUEEMCASA, aconteça o que acontecer! Um abraço da Mj.
Cultivando o canteiro,
O obreiro da poesia,
Retira palavras da mente,
Para escrever todo dia.
De repente, o céu escurece,
É visível a formação de chuva
Aos olhos da humanidade,
Em glamorosa alegria para a lavoura.
As nuvens carregadas,
Revestem os morros e serras,
De neblina orvalhada,
Deixando a visão obscura,
Com sua nebulosidade.
Cai enorme aguaceiro,
Escorregando na ladeira,
Ouve-se o ruído ensurdecedor,
Calculando a direção certeira,
Enchendo depressa o rio e a cidade,
Numa força descomunal.
Imensa é a sua correnteza,
Parece que ela tem braços de nadador,
Longas pernas de corredor,
Garganta afinada, de cantor,
A entoar hinos ao Engenheiro do universo,
Homenageando a mãe natureza.
Então, quando ela desce,
Abrem-se as comportas,
Clamor em plena madrugada,
Não há paredão que resista
A enchente silenciosa,
Devastando o que vê pela frente.
Centenas de famílias desabrigadas,
Numa sentida tristeza,
Carece ser forte todo tempo,
Ter sentimento no coração,
Para observar os moradores da região,
Tentando salvar suas vidas,
Buscando um novo recomeço...
Do nada,
Até a próxima estação.

Mj, em 31/03/2020.

domingo, 17 de junho de 2018

QUEM SOU EU

Bom dia, bom domingo e ótima semana a todos.
Sou filha de Deus Pai criador do universo
E tenho como base da minha sustentação
A fé que carrego no peito, pois,
Sou cheia de defeitos, mas,
Com a pretensão de melhorar, porém,
Meu coração é dividido em ser,
Metade sonho e metade mulher
Que vence os obstáculos da estrada
Refazendo o caminho pedregoso
Como aprendiz de ET, então,
Pergunto-me constantemente
Se me conheço parcialmente
E chego á conclusão de que
Não sou nada e nem quero ser.
Mas sou feita dos quatro elementos
Que compõem a terra e tento unir
A natureza e a humanidade, todavia,
Sou inimiga ferrenha da covardia
Da falsidade, da mentira e da desumanidade,
Das quais combato todos os dias.

Mj, em 15/06/2018.

segunda-feira, 26 de março de 2018

LIGAÇÃO PERDIDA

Obrigada por vocês existirem na minha vida, amizades presenciais e virtuais! Bom dia e ótima semana.
O telefone toca, atendo, calado...
Sei quem está do outro lado escutando.
O que aconteceu, responde?!
O outro fingiu que não era eu.
Silêncio, silêncio profundo...
Você está on, fala, aparece!
Uma ligação perdida ninguém merece.
Acabou! Essa é a resposta
De algo que nem começou.
Fiquei como rede sem fio
Sem conexão, desanimado
Coração magoado de dor
Fim da ligação, amor!

Mj...24/10/2015.

quarta-feira, 14 de março de 2018

VIBRAÇÕES DOS SENTIDOS

Basta apareceres que os sonhos tornam-se realidade. Bom dia.
Enquanto galgas as escadas apressadamente
Permito-me ouvir teus passos lentamente.
E ao aproximardes da soleira da porta
Inalo teu cheiro prazerosamente.
Deixo-me relaxar no teu ombro
Sentindo vibrar meu desejo por teu abraço.
Afagos e beijos passeiam pelo meu corpo
Nos afloramentos dos meus sentidos
Os quais não recuam a cada investida tua.
Então lembro que estou sozinha na rua
Levo uma topada e acordo bruscamente.
Ora, foi só um sonho, mas que chatice, volta!

Poetisa Mj, em 12/03/2018.

sexta-feira, 14 de julho de 2017

FIQUEI ZEN

Vença as barreiras da fria madrugada! Bom final de semana.
Foi lá do alto da montanha
Numa noite tenebrosa
Que o medo se fez bravio
O silêncio com artimanha
Apagou o seu pavio
E nessa mesma altitude
Na miragem do rio
Vendo passar um navio
Ligeiro e sem direção
Nas águas profundas
Ele não era negreiro
Mas abalou o coração
O sol apareceu na calmaria
Ouvindo a trilha sonora
No elegante voo dos pássaros
Fazendo surgir um novo dia
Despertando a natureza
Então ao longe senti o vento
E o revoar de um cabelo
Vi-te passar ligeiro
Raspando como foguete
Naquela rua singela
Na frente tinha uma casinha
E lá estava eu
Debruçada à janela
Corri para o terreiro
E chamei-te toda risonha
Serena e com atitude
Deixa-me deitar nos teus braços
Sentir o afago da tua pele na minha

Pra me aquecer do frio
Porém me presenteaste
Com uma rosa amarela
Fofinha e cheirosa
Olhaste-me nos olhos
Chamaste-me de meu bem
E de um jeito mágico
Fiquei zen quando acordei.

Poetisa Mj, em 14/07/2017.

sábado, 1 de julho de 2017

DIÁRIO DE UM CAIPIRA

Que o mês de julho seja repleto de bons fluidos!
Ói, seu moço
O sinhô pode sê inté dotô,
Mai fui criado na roça limpando mato
Amansando cavalo brabo
Tirando leite das vaquinha nos cercados
Pra vendê na cidade
Num tenho cunhecimento de certas coisa
Minhas mão tão cheinha de calo
Pruquê sou trabaiadô
E cuma é triste chegá a veisse
Os cabelo vão caindo
Os zóio incurtando
As pernas trambicando
Cum priguiça de andá
Minhas carne tão sumindo
Tão aparicendo as vêia
Num óio dereito
Tá tudo diminuindo
Crescendo inté as subranceia
E as oiça, coitada, não tão boa
Minhas zoreia armentando.
Eita tempo bão quando era moço!
Danei-me a passiá
Tive muita namorada
O sor tinha um brio especiá
Adepois o destino
Me mostrou uma jovem muito bunita
Na horinha fiquei apaixonado
Casei, meus fios nasceu
Tentei educá pra serem mió do que eu
Hoje tou nessa idade, na decadência
Agora, se quisé acreditá
O pobrema é seu
Mode qui a veisse é uma duença
Qui dá em tudo qui é cristão
E quando chega a idade
Num tem jeito
Dói as perna, dói os braço
Dói os dedo, dói as mão, dói o purmão,
Dói o ispinhaço e inté o carcasso.
Já cunheço a minha condição
Já fui minininho e hoje tou veinho
Usando cajado nas mão
Isperando a sentença chegá
Pra mode saí desse lugar.

Poetisa Mj, em 01/07/2017.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

CIÊNCIA DO AMOR

Não se avexe seu doutor
Pras coisas que eu vou contar
Eu não sou daqui
E nem vim pra ficar.
Mas se quer ser poeta e escritor
E transformar o amor em poesia
Carece ter muito cuidado
Pra não cair numa fria.
Pois o amor é uma ciência
Que vai chegando de mansinho
Veja o que ele faz na adolescência
Um grande redemoinho
Por ser enganação dos sentidos.
Porém na maturidade
Querendo ou não
Ele vira realidade
E se apossa do coração
Com muita facilidade
Ficando lá embutido
Mexendo com a emoção.
E com a cara de tacho
Vivo um tanto amargurado
Sem ter no bolso um vintém
Amei feito um condenado
E hoje não tenho ninguém
Pra sossegar o facho.

Poetisa Mj, em 12/06/2017.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

OS TEUS OLHOS SÃO OS MEUS

Ajuda-nos Senhor, a caminhar na tortuosa estrada...
Todo mundo quer ser bom
Ruim não há quem queira ser
E a lua falta um pedaço
Pra quem quiser ver.
Pois vi o curso do rio
Seguindo pra algum lugar
Com tanta curva encontrada
E todas desalinhadas
Desembocarem no aberto mar.
Eu vi um tempo indo embora
De mala e cuia na mão
Levando a malvada tristeza
E outro adiante apontar
Surgindo no oriente
Como uma estrela brilhante
Trazendo esperança de novo
Pro povo viver contente.
Vi também ator correr
Pra tomar banho no rio
São Francisco é belo e frio
E cabelo ele não tem
E quem não o conhecer bem
Pode chegar a morrer
Afogado e sem sustento
Numa tremenda agonia
Terminando seu dia, é certo,
Como o passar do tempo.
Vi avião rasgando o céu
Direto pro estrangeiro
Porém não aguentou o tranco
Do vento forte
Vendo quem tava dentro cair
Num tremendo desespero
Brotando no peito a dor
De quem esperava no banco
Chorando até morador
Do lado de cá do norte.
Um dia vi presidente cair
E pálido vice assumir
Vi panelas amassadas
Precisando de tempero
Mas hoje permanecem caladas
Por falta de manutenção
E quem bater nelas agora
Vai sofrer do coração.
Vi marmota aparecer
Do jeito que o diabo gosta
Cutucando o cão com vara curta
Pro menino tolo comer
O doce sem abrir a lata bruta
Tendo uma tremenda indigestão.
Vi homem de bem trambiqueiro
Também vi outros pares

Trancafiados na prisão
Transformar até besouro
No país que vale ouro
Em pura corrupção.
E pela luz que me alumia
Não me venha com engenho
Que da lei conheço bem
Diga a todos que fico
Pra comer mais um vintém
E não seja bisbilhoteiro
Das coisas que não conhece
Quem apanha se lembra
Porém que bate esquece
Rogando a Deus uma prece
Que dê muita proteção
Ao meu Brasil brasileiro
Bem como a você, meu amigo
Porque é verdade o que digo
E tudo isso eu vi passar
No noticiário escrito e falado
E muito bem publicado
Sem sair do lugar que vivo.

Poetisa Mj, em 19/05/2017

domingo, 16 de abril de 2017

PRA ONDE O SENHOR VAI?

Lembranças do passado que permanecem guardadas na memória...
Incandeia, gigante, incandeia os sentidos da aurora retumbante, incendeia os sentimentos reprimidos porque vivi em um tempo de glória, deixando explodir de momento, e agora relembrando os tempos da infância idade em que as crianças são curiosas, as coisas, as pessoas, os animais, as plantas, enfim, não tinha nada que passasse despercebidas das suas visões de raio x e nem dos seus ouvidos apurados, também naquela época quase não existia a tecnologia, o telefone residencial só servia para quem tinha poder aquisitivo maior e na capital, e no interior televisão para o pobre nem pensar, um bicho de sete cabeças, luz elétrica alguns tinham nas suas casas, outros não porque ultrapassava as despesas, então à noite acendiam-se os candeeiros a vontade, e no verão os pais estendiam as esteiras nas portas das casas para prosear com os vizinhos, nas ruas não existiam calçamento, via-se muito barro, areia, buracos e quando chovia a meninada fazia festa na lama e depois corria para tomar banho nas biqueiras das casas, podia-se brincar livremente de boto, casinha, esconde-esconde, bola na mão e no pé, cantar nas rodas de cirandinha, sentar aos pés dos mais velhos e ouvir as suas história mirabolantes, faz de conta e muito mais, porém quando a criança se tornava maluvida, ou seja, teimosa, a mãe gritava,- Lá vem o Beleza! Ou então, - Olha o Chupetinha aí! Caramba, não ficava ninguém na rua, cada um procurava a sua casa. Beleza e Chupetinha foram duas figuras folclóricas que realmente existiram, passavam nas ruas regularmente, entretanto não mexiam com ninguém, a não ser que algum moleque dissesse alguma coisa errada, então vinha o xingamento do outro lado, mas naquele tempo os pais faziam tanto medo aos filhos que eles cresciam acreditando que os referidos senhores pudessem fazer algum mal, e isso nunca foi verdade, só vimos perceber essas coisas após a maturidade, o primeiro andava todo sujo, roupa velha, rasgada, um saco pendurado nas costas cheio de tranqueiras que encontrava nas ruas, e não deixava de carregar no ombro um feixe de lenha, ele tinha uma barba comprida e esbranquiçada que descia até a cintura, usando na cabeça um chapéu muito velho, já o Chupetinha, um homem de certa idade andava com uma chupeta na boca, dizem que ele era ruim das ideias, e até hoje nunca soube os seus verdadeiros nomes sem falar na mulher que servia de guia para um cego pedir esmolas, e se por acaso ela parasse, ele falava, - Olha, o sirviço, Lurdes! Também tinha a “Maria Topada” que metia medo e uma vez encontrando com ela cara a cara quase morri de susto, nem sei como consegui retornar para casa, só sei que tremia muito e não me aguentava nas pernas, agora existia um cidadão por alcunha de “Zé Aleijado” que quando ouvia pronunciar o nome dele eu tapava as orelhas, e por incrível que pareça até hoje sinto arrepios no peito, o pobre homem já nascera defeituoso do corpo, era um exímio sapateiro e a varanda da sua casa servia de budega, e de parada dos viajantes que chegavam das redondezas, montados em cavalos, carroças, carros de boi, etc, porque ali eles amarravam os seus animais, ingeriam um gole de pinga e saiam para comprar mercadorias na feira livre, depois retornavam, pegavam os seus animais e iam embora como chegara, e naquela época para ir à escola mais próxima só tinha duas opções, uma mais rápida na frente da casa do senhor acima referido e a outra, tinha que passar por baixo de arames farpados, atolar os pés no lamaçal, atravessar plantações de capim até alcançar o prédio do grupo escolar, e esse era o caminho escolhido, vejam só o que o medo não faz com a gente. Muitas décadas depois, retornando ao lugar de origem, já refeito dos sustos, e numa noite de verão ele foi convidado para uma festa na casa de uma amiga a qual fazia anos que não a via pessoalmente, e nessa empreitada acompanharam outros dois amigos, e lá vai o jovem bem faceiro, acreditem ou não estancou no meio do caminho como um animal acuado porque tinha que passar na frente da casa do homem que lhe metia medo,  - Desisto, dusse ele, não vou mais para essa festa! - Ora, você chegou até aqui conosco e agora quer desistir, não vai fazer isso, estamos juntos, vamos embora! - Não tem quem me faça passar na frente da casa do “ seu Zé Aleijado”! - Ah, é isso! Então você não soube, o homem faleceu há muitos anos, responderam os amigos, derrubaram a casa dele, veja, apontaram com o dedo, hoje o local agora serve de entrada para chegar até aquele condomínio, e nós pensávamos que você já tinha superado os seus medos da infância. - Ledo engano, falou, alguns consegui superar sim, há muito custo, mas esse estava adormecido e agora acordou a todo vapor, mesmo assim os amigos o agarraram pelo braço, então resolveu fechar os olhos e atravessear a avenida, porém até hoje não passou mais lá, pelo menos sozinho, segundo ele, mas deixando os “entretantos”, retorna ao local de onde parou, pois bem, quase todas as noites eu saia ao encontro de amigos para nos divertimos um pouco e num determinado endereço, fazia questão de parar, pois o senhorzinho quando me via ficava alegre e me convidava para ver a televisão nova que comprara, e ele dizia assim, - Entre pra dento, meu fio, simbora vê o jorná qui já devi de tê começado, vô ligá no canaro sete pra mode vê se num tá fora do aro, eu ficava alegre com o convite feito, entrava e me sentava em um enorme sofá de madeira, então ele ligava a televisão que chuviscava muito e sentava-se ao lado numa cadeira de balanço bem antiga, mesmo assim ouvia o repórter dizer, - Boa noite! - Boa noite meu amiguinho, respondia o senhor, aquilo era inusitado, e eu não perdia a oportunidade de ver uma cena tão inusitada, seu Januário fazia questão de responder o boa noite do repórter. - Meu fio, dizia seu Januário, ele mim cunhece já fais muitos anos, e toda noite me comprimenta! - Ah, tá certo, eu respondia, pois não era doido dizer o contrário, e nessa mesma pequena cidade do interior morava outro senhorzinho, magrela, viúvo, cabelos branqueados pelo tempo, brincalhão com as pessoas, de bem com a vida, e uma vez por mês, saia de casa todo engomado para resolver negócios pendentes, desfrutando da companhia da sua filha mais nova que o acompanhava, os vizinhos, quando o viam arrumado, perguntavam, - Pra onde o Senhor vai? Ele respondia empolgado, - Ara, vô buscá o meu carneiro do inapecite! Na realidade, o referido senhor saia em busca do carnê do INPS-Instituto Nacional da Previdência Social hoje, INSS-Instituto Nacional do Seguro Social, porém ele estava aposentado e nem precisava do referido carnê. Lembrei também do “Pisa na Fulô”, homem trabalhador, alegre, alto, careca, gordo e barrigudo, que aos domingos vestia o seu terno preto, impecável, botava a bíblia embaixo do braço sem esquecer o guarda chuva preto o qual servia de bengala e seguia para a igreja, tinha um andar engraçado que as crianças conseguiam imitar direitinho, e eu, claro, era uma delas, por isso não perdia a oportunidade de imita-lo, ainda bem que ele não ficava incomodado com as imitações, pelo contrário, ria muito alto e nos incentivava, e por falar em igreja, disse ele, naquela época os vestidos das mulheres eram rodados cobrindo até o calcanhar e assim elas participavam das missas campais e acompanhavam as procissões, gostavam de sentar na praça, nossa, eu, muito moleque, juntava-me com os outros e amarrávamos as pontas das saias uma das outras e quando elas se levantavam não conseguiam andar direito e algumas até tropeçavam, sem falar que estavam cantando o “bendito louvado seja”, aí elas aproveitavam a deixa e nos davam a resposta certeira, - Mininos, fios duma égua, vão amarrar a saia da sua mãe, e sem perderem a classe continuavam a ladainha do bendito, coitadas das nossas mães que jamais desconfiaram das nossas travessuras feitas em cada esquina com direção certa, mas chegamos á maturidade propriamente dita, e cada um de nós tomou consciência de que é preciso olhar a vida de outra maneira, sem deixarmos de lado as alegrias do distante passado que permanece na memória. Após anotar no caderno a história do meu amigo Juca, agradeci imensamente por ter sido o escolhido para fazer esse conto.  


Escritora Mj, em 16/04/2017

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O TEMPO E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Numa manhã qualquer pensando no tempo, o Sol passeava calmamente na beira da praia com a irmã Claridade, e encontram-se por acaso com a amiga Chuva deitada na areia, acompanhada da Senhora Sombra, e a Chuva aproveitou para interpelar o amigo sol, pedindo toda melosa:


- Amigo Sol, manda os teus raios solares porque hoje quero sair daqui bronzeada, estou me sentindo muito branca e tenho um encontro marcado com a Senhora Vaidade. O Sol parou, e ouvindo o pedido da Chuva, respondeu:



- Não posso fazer isso, amiga Chuva, pelo menos por enquanto, uma vez que o meu tempo só começará quando o tempo da chuva terminar, e pelo que observo, o seu tempo ainda não terminou, é preciso esperar o tempo do meu pai o Senhor Verão, o qual neste momento está descansando com mamãe e além do mais ele terá um longo tempo para satisfazer a sua vontade.

- Ora, tenha santa paciência, disse o Senhor Verão aparecendo de repente, eu não sei por que você fala desse jeito, Chuva, veja seu pai, o Senhor Inverno, não está nem aí para nada, então a Senhora Paciência que caminhava devagar, se aproximou dos três e disse:

- Ouvi vocês falarem em meu nome, é melhor aproveitar a companhia de todos, vou sentar aqui e esperar minha irmã Virtude aparecer porque não tenho pressa, nisso avistaram a Pressa bem longe e na velocidade que a mesma vinha, ligeiro se aproximou dos amigos e disse:

- Infelizmente, meus amigos, eu não posso agradar a todos e parar no tempo, porque também não tenho tempo suficiente para bater papo com vocês, uma vez que a minha inimiga Perfeição está chegando aí, e a gente não pode se encontrar, aproveito e saio veloz como cheguei, e realmente depois chegou a Senhora Perfeição indignada porque também não queria ver sua inimiga dando tempo para ela se distanciar, daí um pouco apareceu a Senhora Primavera, a qual falou o seguinte:

- Meus amigos, procurem manter a calma, pois quando chegar o tempo de cada um, as coisas se resolvem, vejam, no meu caso sou florista, porém só poderei mostrar meu talento na própria estação, de repente calaram-se todos e neste momento lá vem a Senhora Calma, caminhando com a Senhora Concentração a qual carregava lápis e papel nas mãos, e ouvindo seus companheiros, falou:

- Não tirem a Senhora Visão da minha amiga Concentração, façam silêncio, pois ela precisa de tempo para resolver um problema sério de equação do segundo grau, e no outono terá que prestar vestibular, e aí, alguém pode nos ajudar? A Senhora Razão muito esperta encostou-se na Senhora Calma e pediu que saíssem dali, porque as quatro conseguiriam fazer um quinteto com a Senhora Emoção e estudarem, por sua vez, o Senhor Outono também foi se aproximando e disse para a Senhora Primavera que ela tinha toda razão, precisavam esperar pelo tempo para conseguirem o próprio tempo de cada um, e assim seguiram conversando. Foi um reboliço danado com a chegada da desconfiança, e cada um que quisesse opinar sobre o assunto, falavam muito alto, e disseram que não tinham tempo para certas matérias e que ela, a Senhora Desconfiança procurasse a Senhora discórdia junto com o Senhor Ódio, o qual estava enamorado da Senhora Inveja, muito bonita, que naquele momento trajava roupas de festa, toda enfeitada, pintada dos pés à cabeça de batom, os quais estavam sentados conversando do outro lado, um pouco distante dos seus rivais a observarem o Senhor Falso Testemunho que caminhava sozinho, e novamente falaram sobre o tempo que não estava presente no momento, e era ele quem estava com a Senhora Culpa, porém a Senhora Culpa ouvindo o comentário, retornou e disse:

- Mas vejam só quem fala, vocês são um bando de ignorantes, é preciso ter conhecimento dos fatos, porque eu não me sinto culpada por causa do tempo, inclusive briguei com a Senhora Discórdia por causa disso, e não estou com o Senhor Tempo, mais afastados, o Senhor Conhecimento tentava explicar um determinado assunto para a Senhora Ignorância, e ela possuía bons ouvidos e na lata respondeu:

- Epa, moçada, me deixem fora dessa, porque eu posso até ser ignorante para alguns assuntos, mas para outros não sou não!

O Senhor Tempo, por sua vez, encontrando-se deitado bem tranqüilo em sua rede, olhando o movimento pela pequena janela do tempo, e já aperreado com aquela conversa, não agüentou, levantou a voz e bradou:

- Calem-se todos, eu ouvi a conversa de cada um de vocês falando no meu nome, já não agüento mais essa discussão, eu sou o Senhor dos Tempos, e apesar da minha idade, exijo respeito para com a minha pessoa, e posso fazer o que eu bem entender no mundo, pois tenho carta branca para isso, e nesse momento, olhando para o relógio do tempo, continuou, vejo que é preciso chamar aqui a Senhora Vergonha, e do jeito que estou vendo também precisarei chamar, via internet, a terrível Senhora Calamidade que é prima de segundo grau da Senhora Tempestade, porque aí, sim, vocês vão ter que se haver com elas e digo mais, elas não virão sozinhas, serão muito bem acompanhadas dos seus esposos o Senhor Vento, o qual virá com o Senhor Desespero marido da Senhora Agonia bem como da sua querida filha, a jovem Aflição e do Senhor Fogo seu avô, quando eles chegarem aqui, vocês hão de ver que eu estou certo, depois vão chamar a Senhora Tristeza, a qual já discutiu com a Senhora Alegria por causa da Senhora Humildade que anda junto com a Senhora Simplicidade, sem falar que a Senhora Lágrima também anda na companhia do seu irmão gêmeo, o Senhor Choro, e não ficará pedra sobre pedra, e depois de tudo isso, vocês vão olhar para trás e chamarão a Senhora Lembrança a qual virá junto com a Senhora Recordação. Entendam meu povo, é cada macaco no seu galho, fiquem quietos que eu sei muito bem o tempo de cada um, e não adianta quererem se agarrar a Senhora Apelação, porque ela não tem voz ativa, e nem tão pouco será advogada de ninguém, porque quem manda aqui, sou eu, entenderam, ou querem que eu desenhe bem direitinho! Isso foi um Santo Remédio para acalmar o Senhor Nervo que por sua vez andava muito abalado com a Senhora Situação.



(Escritora Mj... 09/12/2016)

sábado, 19 de novembro de 2016

#DESABAFOSDEUMAARTESÃ#

Alguém me perguntou se eu gostava de fazer crochê, respondi que sim, me sinto realizada em cada peça fabricada pelas minhas mãos, porém foi necessário parar, e ela perguntou,

- Por quê você parou? Então eu respondi,

- Eu parei porque alguns clientes querem que eu faça crochê por amor a arte...ela insistiu,

- Ora, mas ter amor pela arte é essencial...

- Sim, o amor é essencial, no entanto não paga as contas e nem o material que utilizo para satisfazer a vontade dos outros...ela ficou calada com a minha resposta...

(Escritora Mj e M.J. Crochê-Design, em 19/11/2016)