sábado, 31 de dezembro de 2016

CONTOS DO NOVO ANO

Feliz Ano Novo para todos!
7ª PARTE – O REENCONTRO FINAL

Quando regressou à terra querida
Sua mãe permaneceu alheia,
Desgrenhada, velhinha e escondida
Numa casinha de palha,
Atormentada pela ausência sofrida
E não reconheceu 

O fruto da sua vida.
O filho ao ver aquela cena, então,
Com o coração dilacerado de dor
Caiu por terra, no pranto e gritou
Valha-me Deus, o que eu fiz,
De que valeu ganhar dinheiro
Ter carro, chofer, e tudo de graça
Se minha mãezinha enlouqueceu
E não soube aproveitar a riqueza
Que todo mês eu lhe enviava!
De um conto se faz um conto
E aqui termino esse pronto
Pra que saibam e
 compreendam
Que bens materiais não tem valor
E o mais importante na vida, 
É ter saúde a vontade 
Amizade, união, harmonia,
Paz, felicidade e muito amor.

Escritora Mj, em 31/12/2016

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

CONTOS DO NOVO ANO

6º CAPÍTULO – O SUCESSO

É preciso explicar que
O retorno se deu de carro
Com motorista particular,
Pois o filho enriqueceu
Foi palhaço de circo
Casou com uma corista
Que trabalhava no mesmo lugar
E dessa união gerou
Três robustos rebentos,
Mas isso não atrapalhou
O envio de cem contos de réis
Todo mês por obrigação
Dentro das cartinhas
Pra suprir as necessidades
Da mãe que tanto amava...

Escritora Mj, em 30/12/2016

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

CONTOS DO NOVO ANO

5º CAPÍTULO – NO LIMITE DA EMOÇÃO

Após o primeiro dia
Daquela separação
Vinte anos se passaram
Numa agonia profunda
Sem receber notícias
Da mulher que lhe gerou
E quando a dor da saudade apertou
Na véspera do novo ano
O filho ligeiro retornou
Com o pé batendo no coração
A toda velocidade,
E no limite da emoção
Pra reencontrar sua mãe
Que deixara outrora
Sozinha e sem trocado
Pois ela sofrera um bocado
Pra deixa-lo uma beleza
E querendo lhe fazer uma surpresa,
O surpreendido foi ele 

Aí se apavorou...
Escritora Mj, em 29/12/2016

CONTOS DO NOVO ANO

4º CAPÍTULO – INOCÊNCIA

E no decorrer dos anos,
Sem notícias receber
Do filho querido e amado,
Sua mãe foi definhando
De desgosto até perecer
Na mais pura inocência
Sozinha e abandonada
Numa casa de farinha
Havia muitas cartas
Pois ele escrevia e enviava
Mas ela não respondia
Porque não sabia ler, 

Também não desconfiava
Que do filho podia ser
E nem tão pouco abria
Pra ver do que se tratava
Então, eram todas guardadas,
Dentro de uma latinha...

Escritora Mj, em 29/12/2016

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

CONTOS DO NOVO ANO

3º CAPÍTULO – A VIAGEM

Desse jeito o menino saiu contente,
Igual um lebre, faminto,
Carregando no peito
A estrela do oriente
Pra fazer sua primeira viagem
Perambulando na estrada
Parecendo um socó-boi,
Partiu levando nas costas um saco,
E o cadeado usado era um nó
Encontrando no caminho percalço
Dormiu no puro relento,
Mesmo assim tudo enfrentou
Seguindo o rumo do vento
Deixando pra trás quem amava,
Chorando que dava dó...

Escritora Mj, em 28/12/2016)

CONTOS DO NOVO ANO

2º CAPÍTULO - CONSELHOS 

Ora, se é desse jeito, meu filho,
Responde a mãe com carinho
Fazendo o sinal da cruz
Então não vou lhe prender
Você precisa voar pra crescer
Ser gente e outro lugar conhecer
E aqui ficarei orando
Pra você se ajeitar na vida
Vai com Deus e paz na guia
Que Nosso Senhor Jesus Cristo seja Pra sempre a sua companhia

E que o manto da virgem Maria
Lhe sirva de cobertor
Pra aquecer seu corpo do frio...

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

CONTOS DO NOVO ANO

1º CAPÍTULO

Sua benção, minha mãe!
Deus lhe abençoe, meu filho!
E pra onde você vai, meu tesouro
Nessa sangria descabida?
Perguntou a mãe aflita
Minha mãezinha querida,
Responde o filho depressa
Humildemente, perdão eu lhe peço,
Por lhe deixar sozinha
No torrão batido 

Do nosso amado sertão
Mas preciso viajar

Vou percorrer esse mundão
Tentar ganhar dinheiro
Pra um dia poder lhe ajudar...

Escritora Mj, em 27/12/2016

ROSEIRAIS DO SERTÃO

Oh, bendita flor do sertão
Que de espinho estás cercada
Sem força pra suportar
As amarguras do tempo
Levas no peito a dor
Daquele triste sorriso
De uma alma atormentada
Causada pela distância
Chorando teus ais num canto
Inundando os roseirais
Então deixa gravar teu nome
Neste coração sofrido
Para que sirva de alento
Na hora da despedida.

(Escritora Mj, em 27/12/2016)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

SONHO NOTURNO

Oh, como busquei dentro de mim
Mares nunca navegados
Tu lá estava agregado
E do meu lado passaste sorrateiro
Não me viste, fiquei triste
Senti-me prisioneira do passado
Busquei tudo diferente do que tive
Teu deleite fez-me algo de concreto
Porque na vida isso já senti
Na pureza dos teus beijos
Dancei na leveza dos teus passos
Chorei na dureza das palavras
Ficamos entrelaçados num abraço
Porém a saudade 

Deixou ver claramente
Que foi mais um sonho rebuscado
E na emoção, acordei!

Escritora Mj, em 26/12/2016

domingo, 25 de dezembro de 2016

HUMILDADE E FRATERNIDADE

"Desejo a todos um Natal de luz, paz e amor!"
Irmãos de coração amigo
Vós sois como pássaro engaiolado
Carregando tua própria cruz
Bicho que canta triste na prisão
Tens tuas asas cortadas
E sem vês saída ou solução
Não poderás voar no céu
Porém dentro de ti possuis
A chave da liberdade
Escrito na mais sublime 

E singela palavra
Perdão, pois é chegada a hora
Ó, juriti da gaiola
De cantar do lado de fora
E poderás transformar a dor
Em alegria e gratidão
Rasgando o véu da cegueira
Amando ao próximo como a ti mesmo
Ensinado por Cristo Jesus
Que está contigo.

Escritora Mj, em 25/12/2016

sábado, 24 de dezembro de 2016

MAGIA DO NATAL

Na magia do Natal
Comemore com louvor
Alegria, muita fé
E um pouco de poesia
O nascimento do menino
Que numa noite silenciosa de luz
Chegou para nos salvar
Não tem outro é Ele sim
O filho de José e Maria
Chamado Jesus de Nazaré
E na sua farta ceia
Deixe um lugar reservado
Para o aniversariante do dia
Pois Ele é e será
O seu principal convidado.

(Escritora Mj, em 24/12/2016)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O CICLO DA VIDA

Posso perder a noção do tempo
Que me encontro no momento
Porém não posso perder a serenidade
E nem tão pouco o sentido da vida
Posso perder os falsos amigos
Entretanto jamais perderei os amigos verdadeiros
A coragem pode se esvair em mil pedaços
Mas a fé continuará viva
Numa renovação de pensamentos positivos
Porque os sonhos continuarão acesos
Pois a esperança é a última que morre.

(Escritora Mj, em 23/12/2016)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

EXPRESSÃO PESSOAL

A linguagem no sertão rica em sabedoria
Pode não ser entendida no linguajar de vocês
Falo “oxente, arriégua, meu irmão, vige maria
Não se avexe, venha pra cá, se assente, hum”
E o meu “tá certo” é trocado por “ok” todo dia
Mas “Danou-se”, não aceito desafio com maldade
Tou quieta no meu cantinho sem amargura
Por isso não “me aperreio” na forma de me expressar
Aqui ou em outro lugar estrangeiro, aclamo
Não posso mudar pra agradar a quem quer que seja
Sou simples sertaneja e não uma beldade
Sem eira e nem beira vou afirmando 

E sorrindo falo pra todo mundo
“nordestinês” do meu Brasil brasileiro
E levando na alma a ousadia dum poeta alagoano
Escrevo da cidade de Palmeira dos Índios
Considerada o berço da cultura.


(Escritora Mj, em 21/12/2016)

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

DESEJOS INCONTROLÁVEIS

Doce e inspiradora é a inocência da criança
Quando sonha acordada aos oito anos
Sem entender que dos dez aos treze
Chega á puberdade na pré-adolescência
Terminando aos quinze na adolescência
Com pura inconsequência aos dezoito
Na flor da maturidade aos vinte e oito
Se tornando estridente aos trinta e oito
Gloriosa e contundente aos quarenta e oito
Atacada de saudosismo aos cinquenta e cinco
E rejuvenescida na terceira idade.

(Escritora Mj, em 20/12/2016)

domingo, 18 de dezembro de 2016

MENSAGEM DE NATAL

Chegou o Natal, uma estrela brilha fortemente no céu anunciando o nascimento do menino Jesus numa simples manjedoura revestida de capim, tendo ao lado os seus pais Maria, José e os animais, significando uma nova era de esperança, amor, harmonia entre os povos, amizade, saúde, felicidade, prosperidade, e paz nos corações angustiados, e como sempre, mais um ano se aproxima velozmente, trazendo o futuro na magia da certeza de que a tristeza passará, assim, peço que possamos fazer uma retrospectiva e deixarmos para trás aquilo que não foi bom no ano que está indo embora, porque temos a certeza dos sonhos, e estes se concretizarão se tivermos a confiança e o discernimento de acreditarmos em dias melhores, e se estamos passando por crises alheias a nossa vontade, lembrem-se de que tudo passa e a vida continua seu ciclo sem interrupção, então é hora de renovarmos a nossa criatividade usando o cérebro como memória de computador para captar e registrar cada anseio, buscando os meios necessários para facilitar a própria vida, e com esse pensamento positivo, imbuída de boas intenções, e através deste, na simplicidade de uma brasileira, desejo a cada um de vocês, amigos brasileiros e estrangeiros, FELIZ NATAL, e FELIZ ANO NOVO glorioso e revestido de bons fluidos.
(Escritora Mj, em 18/12/2016)

sábado, 17 de dezembro de 2016

OVELHA DESGARRADA

O sol se pôs
Porém quando se encontra sozinho
No meio de cascalho e pó
Se pega a pensar
Que não há explicação para os sentimentos
Entretanto algumas coisas poderiam ser ditas
De uma maneira direta e objetiva
E no que poderia melhorar
Para o mundo ser mais irmão
Bastava uma simples semente
Plantada no desgarrado coração
Porque só sabe o descaso e a dor,
Quem sente
Então vem, sara-me desta aflição
Liberta-me do egoísmo desenfreado
E faz-me conhecer o amor.
Mas que absurdo é esse!
Renega a mente a dizer.

(Escritora Mj, em 17/12/2016)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

POEIRA AO VENTO

Num mundo de inocentes, nasci
Como nasce uma semente
Terra fria um pouco quente
E como toda gente cresci
Sonhos de adolescente sonhei
Sofri, padeci, porém venci
As amarguras do amor inconsequente
Então fiz da vida meu regaço num abraço
Do riso fiz meu escudo
Chorando me refugiei
Do tempo fiz meu troféu
Cercando-me turbilhão de pensamentos
Perdidos em oceanos de incertezas
Pois a terra inteira diante do universo
É apenas poeira ao vento.


(Escritora Mj, em 16/12/2016)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

E TU, ME ACEITAS?

"Feliz Natal, Feliz Ano Novo!"
Te aceito na alegria contagiante, e na tristeza sorrirei para te alegrar; te aceito na saúde plena, e na doença cuidarei de ti com carinho; te aceito na claridade, e na escuridão estarei ao teu lado para te guiar; quando tuas mãos estiverem trêmulas sem poder segurar as minhas, estarei ao teu lado para te ajudar; ah, quando chegar na incontinência urinária, não fiques preocupado, eu continuarei ao teu lado, e todo sequinho te deixarei; porém quando não puderes mais andar, te abraçarei e te levarei para o lugar desejado, pois isso é o que entendo do verbo amar, o partilhar, e ajudar com atos e ações de nobreza em todos os momentos, porque as palavras se perdem com o soprar do vento.
(Escritora Mj, em 15/12/2016)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

CORAÇÃO ARREBENTADO

Um doce, uma rosa, um desejo
Um beijo, um abraço de alguém
Ternura de quem não vejo
Amor só se dá a quem não tem
Porém se chegar a acontecer, coitado
Ficará arrepiado, moleza
Falo isso com toda certeza
Veja que é só você e mais ninguém
E disso não esqueça
Não dê uma rebolada e saia
E nem mande tomar tenência
Pois o amor quando acontece
É igual a diligência
Roda pra lá e pra cá
Até que um dia estaciona
Num coração duro e malvado
Então sairá fogo pra todo lado.

(Escritora Mj, em 14/12/2016)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO

"Amigos brasileiros e estrangeiros, Feliz Natal e um glorioso Ano Novo, é o que desejo para vocês!"

Tem muita emoção para a humanidade
Na celebração do ato de amor
Quando o céu se cobre de luz
E aparece a estrela cadente anunciando
O nascimento do menino Jesus
Numa simples manjedoura
Revestida de capim
Alegrando a vida dos pequeninos
E por entre os montes surge mais um ano
Deixando o velho descrente
Ele se aproxima velozmente
Na certeza de que um novo dia
Renascerá de esperança
Podendo transformar a tristeza
Em plena alegria
Recheada de harmonia e amizade
Saúde e felicidade
Prosperando a paz no coração.

(Escritora Mj, em 12/12/2016)

domingo, 11 de dezembro de 2016

ASSIM DIZIA O CANTADOR

Sonhando um sonho acordado
Buscando na relva o consolo
Deleitou-se na partida fugidia
Com todo seu romantismo
Sem saber o significado
Assim o cantador dizia
Que no Nordeste foi nascido
Desde menino criado
No coração sertanejo
Lá via o povo ajoelhado
Pedindo água do céu
Para plantar mais um roçado
Porém tentando escovar o tempo
O que arrumou foi reumatismo.


(Escritora Mj...11/12/2016)

sábado, 10 de dezembro de 2016

CANÇÃO DO FADO TRISTE

Assim como as estações tem o seu tempo
Utilizarei o meu tempo para recordar
Os bons momentos vividos outrora
Do tempo que o telefone tocava
E as palavras chegavam livremente
Porém a distância se encarregou
Da separação repentina pelo mundo
Então sigo chorando os meus ais
Do ocaso passageiro que não mais retornará
E falar a verdade é preciso
Ainda nutro sentimentos profundos
Igual a um emaranhado de fios soltos
Os quais não acabarão facilmente
Pois os levarei na minha mente até a eternidade
Mas se houver neve ou geada
Mesmo assim utilizarei a vida
Tal qual a sorte do frágil menino
Que com sua voz eloquente
Sem atingir a tranquilidade
Deixou partido o coração pequenino
Como um fado cantado triste
Sem alegria dos sonhos desfeitos
Enquanto espreitava o por do sol
Na sacada da janela.

(Escritora Mj, em 10/12/2016)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O TEMPO E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Numa manhã qualquer pensando no tempo, o Sol passeava calmamente na beira da praia com a irmã Claridade, e encontram-se por acaso com a amiga Chuva deitada na areia, acompanhada da Senhora Sombra, e a Chuva aproveitou para interpelar o amigo sol, pedindo toda melosa:


- Amigo Sol, manda os teus raios solares porque hoje quero sair daqui bronzeada, estou me sentindo muito branca e tenho um encontro marcado com a Senhora Vaidade. O Sol parou, e ouvindo o pedido da Chuva, respondeu:

- Não posso fazer isso, amiga Chuva, pelo menos por enquanto, uma vez que o meu tempo só começará quando o tempo da chuva terminar, e pelo que observo, o seu tempo ainda não terminou, é preciso esperar o tempo do meu pai o Senhor Verão, o qual neste momento está descansando com mamãe e além do mais ele terá um longo tempo para satisfazer a sua vontade.

- Ora, tenha santa paciência, disse o Senhor Verão aparecendo de repente, eu não sei por que você fala desse jeito, Chuva, veja seu pai, o Senhor Inverno, não está nem aí para nada, então a Senhora Paciência que caminhava devagar, se aproximou dos três e disse:

- Ouvi vocês falarem em meu nome, é melhor aproveitar a companhia de todos, vou sentar aqui e esperar minha irmã Virtude aparecer porque não tenho pressa, nisso avistaram a Pressa bem longe e na velocidade que a mesma vinha, ligeiro se aproximou dos amigos e disse:

- Infelizmente, meus amigos, eu não posso agradar a todos e parar no tempo, porque também não tenho tempo suficiente para bater papo com vocês, uma vez que a minha inimiga Perfeição está chegando aí, e a gente não pode se encontrar, aproveito e saio veloz como cheguei, e realmente depois chegou a Senhora Perfeição indignada porque também não queria ver sua inimiga dando tempo para ela se distanciar, daí um pouco apareceu a Senhora Primavera, a qual falou o seguinte:

- Meus amigos, procurem manter a calma, pois quando chegar o tempo de cada um, as coisas se resolvem, vejam, no meu caso sou florista, porém só poderei mostrar meu talento na própria estação, de repente calaram-se todos e neste momento lá vem a Senhora Calma, caminhando com a Senhora Concentração a qual carregava lápis e papel nas mãos, e ouvindo seus companheiros, falou:

- Não tirem a Senhora Visão da minha amiga Concentração, façam silêncio, pois ela precisa de tempo para resolver um problema sério de equação do segundo grau, e no outono terá que prestar vestibular, e aí, alguém pode nos ajudar? A Senhora Razão muito esperta encostou-se na Senhora Calma e pediu que saíssem dali, porque as quatro conseguiriam fazer um quinteto com a Senhora Emoção e estudarem, por sua vez, o Senhor Outono também foi se aproximando e disse para a Senhora Primavera que ela tinha toda razão, precisavam esperar pelo tempo para conseguirem o próprio tempo de cada um, e assim seguiram conversando. Foi um reboliço danado com a chegada da desconfiança, e cada um que quisesse opinar sobre o assunto, falavam muito alto, e disseram que não tinham tempo para certas matérias e que ela, a Senhora Desconfiança procurasse a Senhora discórdia junto com o Senhor Ódio, o qual estava enamorado da Senhora Inveja, muito bonita, que naquele momento trajava roupas de festa, toda enfeitada, pintada dos pés à cabeça de batom, os quais estavam sentados conversando do outro lado, um pouco distante dos seus rivais a observarem o Senhor Falso Testemunho que caminhava sozinho, e novamente falaram sobre o tempo que não estava presente no momento, e era ele quem estava com a Senhora Culpa, porém a Senhora Culpa ouvindo o comentário, retornou e disse:

- Mas vejam só quem fala, vocês são um bando de ignorantes, é preciso ter conhecimento dos fatos, porque eu não me sinto culpada por causa do tempo, inclusive briguei com a Senhora Discórdia por causa disso, e não estou com o Senhor Tempo, mais afastados, o Senhor Conhecimento tentava explicar um determinado assunto para a Senhora Ignorância, e ela possuía bons ouvidos e na lata respondeu:

- Epa, moçada, me deixem fora dessa, porque eu posso até ser ignorante para alguns assuntos, mas para outros não sou não!

O Senhor Tempo, por sua vez, encontrando-se deitado bem tranqüilo em sua rede, olhando o movimento pela pequena janela do tempo, e já aperreado com aquela conversa, não agüentou, levantou a voz e bradou:

- Calem-se todos, eu ouvi a conversa de cada um de vocês falando no meu nome, já não agüento mais essa discussão, eu sou o Senhor dos Tempos, e apesar da minha idade, exijo respeito para com a minha pessoa, e posso fazer o que eu bem entender no mundo, pois tenho carta branca para isso, e nesse momento, olhando para o relógio do tempo, continuou, vejo que é preciso chamar aqui a Senhora Vergonha, e do jeito que estou vendo também precisarei chamar, via internet, a terrível Senhora Calamidade que é prima de segundo grau da Senhora Tempestade, porque aí, sim, vocês vão ter que se haver com elas e digo mais, elas não virão sozinhas, serão muito bem acompanhadas dos seus esposos o Senhor Vento, o qual virá com o Senhor Desespero marido da Senhora Agonia bem como da sua querida filha, a jovem Aflição e do Senhor Fogo seu avô, quando eles chegarem aqui, vocês hão de ver que eu estou certo, depois vão chamar a Senhora Tristeza, a qual já discutiu com a Senhora Alegria por causa da Senhora Humildade que anda junto com a Senhora Simplicidade, sem falar que a Senhora Lágrima também anda na companhia do seu irmão gêmeo, o Senhor Choro, e não ficará pedra sobre pedra, e depois de tudo isso, vocês vão olhar para trás e chamarão a Senhora Lembrança a qual virá junto com a Senhora Recordação. Entendam meu povo, é cada macaco no seu galho, fiquem quietos que eu sei muito bem o tempo de cada um, e não adianta quererem se agarrar a Senhora Apelação, porque ela não tem voz ativa, e nem tão pouco será advogada de ninguém, porque quem manda aqui, sou eu, entenderam, ou querem que eu desenhe bem direitinho! Isso foi um Santo Remédio para acalmar o Senhor Nervo que por sua vez andava muito abalado com a Senhora Situação.



(Escritora Mj... 09/12/2016)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

PAPAI NOEL EXISTE

"Jardineiro encantado faz a vida florescer..."
Nos arredores da cidade grande, havia uma família de lavradores que morava numa pequena choupana de palha muito pobre, e todos os dias o pai saía para trabalhar no campo às quatro horas da manhã, levando sua única ferramenta de trabalho, a enxada, deixando em casa sua esposa que também tinha a profissão de lavadeira e seus filhos João Lúcio, Inácio, Edite, Francisco e Mabel, todos de menor idade, mas João, o pai, queria que os filhos estudassem por isso não exigia que os mesmos fossem para a roça, a não ser na época da colheita, ocasião que toda ajuda se fazia necessária, porém naquele ano as coisas não saíra como previsto, uma vez que não houve chuva suficiente para sustentar a lavoura, e o alimento na mesa cada dia ficava mais difícil mesmo com a ajuda da mulher porque a lavagem de roupas na cidade também ficara escassa por causa da crise financeira que se alastrou na cidade, era necessário João ganhar algum dinheiro extra para comprar comida, roupas, sapatos e presentear os filhos com qualquer brinquedo no final do ano, salvando o natal dos pequeninos, e mesmo assim ele não desistiu, apesar de receber vários não como resposta dos amigos, dia após dia, mas essa situação não durou muito tempo, suportou o quanto pode, até que de repente, retornando para casa, no pingo do meio dia, e cansado de ver os filhos choramingando pelos cantos, João retirou o chapéu de palha da cabeça, prostrou-se por terra no meio do cercado, sol à pino, e com os olhos banhados em lágrimas, passou a se lamentar,



- Senhor, Senhor, tenho procurado trabalho na região a fim de ganhar algum trocado honestamente, e não encontro ninguém para me ajudar, por favor, estou precisando, me manda cem contos de réis, pois o mês de dezembro chegou trazendo com ele o natal, data em que se comemora o nascimento do filho de Deus numa manjedoura, em meio aos animais, mas o espírito natalino da enganação é visto nas mesas fartas, roupas de marcas famosas, sapatos importados, árvores de todos os tamanhos, enfeitadas e cheias de pisca-pisca, um monte de brinquedos, lojas abarrotadas com novidades, isso é maldade para quem não pode comprar nada para os filhos, o Senhor me desculpe, mas isso é hipocrisia na sociedade, tenho visto os pobres nas calçadas sem teto, gente passando fome, frio e sede, guerra e morte, países que não se entendem, as mãos não se estendem mais como antigamente, é triste não existir amor, só se ouve palavras e mais palavras da boca para fora, tem piedade, Senhor, e aqui expresso sentimentos pelo irmão que sofre porque também sou um deles, o qual fica na espera do seu auxílio...


Ora, cartas e mais cartas vindas de vários lugares eram entregues diariamente pelo carteiro que passava no local, principalmente no mês de dezembro onde as pessoas ficam com os corações mais maleáveis por causa do espírito natalino, bem como pela euforia da missa do galo, das festas e dos comes e bebes na vizinhança, então ele parou de repente, e não era a primeira vez que ouvira por mais de uma semana os lamentos do lavrador João, e no décimo quinto dia, o carteiro apareceu com uma missão muito importante, trazia nas mãos um envelope amarelo endereçado a João que continuava clamando no mesmo lugar e no mesmo horário, era véspera de natal,



- Seu João, bom dia, correspondência para o senhor! O lavrador, que não estava acostumado com a visita do carteiro, ficou surpreso quando o mesmo lhe entregou o envelope lacrado e anônimo, contendo vários selos, e mais surpreso ainda quando o abriu cuidadosamente e viu que o seu desejo tinha sido realizado, e o valente carteiro continuou ali, calado, observando a reação do mesmo, no entanto ao retirar o conteúdo do envelope, João contou nota por nota, noventa contos de réis, ele disse, e no mesmo instante ergue os olhos para o céu a reclamar,

- Senhor, eu lhe pedi cem contos de réis, neste envelope só tem noventa contos, faltam mais dez contos, e o mais grave é que o Senhor me enviou esse dinheiro pelos correios, e agora, quando será que vou receber o restante do dinheiro?

O carteiro ouvira atentamente por longos quinze dias os lamentos daquele homem, e ao retornar para a sua repartição de origem, juntou os amigos, narrou a história do lavrador João, presenciado no cercado distante, e cada um se comoveu com a referida atitude, e passaram a ajudar com o pouco que lhes restavam, até formar aquela quantia, e aquela também fora a única maneira que o referido carteiro encontrou para ajudar o seu irmão necessitado, salvando o natal dele com a família, porém João estava cego e fora incapaz de reconhecer naquele simples gesto do carteiro de que milagres existem e devemos agradecer o tesouro da humildade, pois no mundo ainda há pessoas de bom coração.

(Escritora Mj, em 07/12/2016 - Conto Natalino)

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

ENTRE VERDADES E MENTIRAS

Sabe aqueles dias que nos encontramos chateados de quase tudo um pouco? Pois bem, naquela manhã acordei com uma sensação estranha e não quis permanecer entre quatro paredes, resolvi sair para observar principalmente a natureza, no céu havia uma lua gigante provocando a aurora boreal cheia de cores iluminando o grosso gelo da terra, mais adiante uma família de ursos, eles estavam famintos há muitos meses, mas continuavam fieis à espera do retorno de um amigo querido, daí sinto que minha alma está invernada, e enquanto espero o príncipe chegar, desafiando a esperteza, sem me importar nenhum pouco de procurar abrigo atentamente no encontro do florescer da juventude mórbida, tentando transformar vales e sombras em floresta, terra e água, mesmo na linha imaginária do horizonte, durmo e viajo com liberdade no deserto dos sonhos, as pessoas passam despercebidas pelas outras sem serem notadas na sua essência, e entre verdades e mentiras vão caminhando lentamente, entretanto meu pensamento fez uma retrospectiva, e bem que eu queria retornar ao passado ao menos num momento para rever aos que lá deixei, e declarar os meus sentimentos, porque as mudanças fazem parte da vida de qualquer espécie, porém daquela infância raquítica que ficou lá no passado da história, perdida e contada em ritmo de saudade póstuma, ninguém lembrará, restando apenas à boa sorte dos sentidos, coisa que nem sei se existe porque estamos em busca de algo que diferencia por pura ilusão, e só percebemos após a bancarrota cega de que não valeu a pena, assim é a vida e sempre será um tremendo reboliço no ar de carrosséis, mas uma coisa é certa, o ser existe, no entanto a vida é curta e só o verdadeiro amor conhece a verdade sem mentira e nem maldade.
(Escritora Mj, em 06/12/2016)

domingo, 4 de dezembro de 2016

PARTILHAR CONTIGO

Pode ser o abc dos montes
Mas o bom é poder falar
Que neste planeta somos meros visitantes
Chegamos aqui numa nave espacial
Ou na cauda de algum cometa
Encarar o vir do nada
Não desistir e alto voar
Perder-se na imensidão do infinito
Sem asas para segurar
E nos olhos que ficaram
Fitaram um sorriso apagado
Sem fim e sem luar
Retornar e forte abraçar
E em cada canto confortar
Despertar encostado em ti
Seguir, lutar e vencer.

(Escritora Mj, em 04/12/2016 

sábado, 3 de dezembro de 2016

NÃO DESPERDICE A CHANCE

"Que possamos manter os laços afetivos na amizade conquistada."

O amor é igual a uma casa a qual tem que ser construída dia após dia alicerçando os sentimentos embutidos através do tempo, a mesma pode sofrer com as tempestades, pode também ser trocada por outra casa que já esteja pronta para ser habitada, bastando abrir e na soleira da porta limpar a poeira dos pés, mobiliar e entrar, porque dentro dela vemos alegrias, tristezas, raivas, cuidados, decepções e tantos outros sentimentos que envolvem o coração, porém cabe a cada um de nós não deixar cair o reboco pedaço por pedaço, então construa essa casa, deixe-a transformar-se em uma linda mansão, pois esse é o verdadeiro amor, aquele que escuta, compreende e partilha cada momento vivendo dentro da pessoa que se deseja amar, que jamais se esgota e vai brotando como um botão de flor. Guarde bem essas palavras, não deixe o tempo passar e jamais desperdice a chance de ser feliz, ela é única.
(Escritora Mj, em 03/12/2016)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O TESTE DA BORBOLETA

"Que tenhamos vontade e força para continuarmos lutando pela vida."
Lá vai a borboleta voando, que beleza
Testando as suas asinhas
E quanto mais voava sentia
A sensação de liberdade
Porque conseguiu sozinha
Com muita força e vontade
Equilibrar-se no vão da natureza.

(Escritora Mj, em 02/12/2016)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

CONFISSÃO

#souafavordavida...Bom dia.
Meu querido diário
Do vento gélido que sopra nas noites frias
Se um dia eu pudesse ser a pequena folha
Que cai da roseira plantada no seu jardim
Talvez fosse guardada com carinho
No bolso da algibeira
Então minha alma seria curada
E você olharia pra mim.

(Escritora e poetisa Mj...01/12/2016)

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

MUSEU XURURUS

Na cidade de Palmeira dos Índios, situada no Estado de Alagoas, região Nordeste brasileiro, podemos encontrar o MUSEU XUCURUS, sua inauguração aconteceu no ano de 1971, o mesmo foi construído dentro da Igreja do Rosário, como podem ver através desse vídeo, lá existe uma variedade de peças antigas e em cada uma delas conta lindas histórias tristes e alegres, são relíquias do passado distante, porém presente na memória do seu povo. Em breve mostrarei um pouco dos utensílios da etnia Xucuru-Cariri.
(Escritora Mj, em 30/11/2016)

GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA

O velho estradeiro do sertão
Conta que no imenso e desejoso céu de anil
Cobrindo a terra verdejante
O morador do norte e do sul
E do leste ao oeste brasileiro
Tanto faz no campo ou na cidade
Faça chuva ou sol ardente
De coração abre a porta e acolhe o viajante
Não importando a nacionalidade
É assim o meu povo heroico e varonil
Espalhado neste garboso Brasil!
(Escritora e poetisa Mj...29/11/2016)

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O PIAR DA CORUJA

Fim de tarde e logo aparece sombria
Numa camuflagem perfeita a coruja
Envolta em mistério e beleza
Ouve-se ao longe o bater das asas
Um grito no ar ressoa forte no vão da natureza
Parece não querer ficar sozinha, desprezada
Corre em busca de alimento, abrigo e afago
Com olhos de luneta arregalados
Então a galeria passa em grande visão obscura
De transformar desertos, vales, terra e mar
Viajando nos sonhos com liberdade de voar
Recuando quando há necessidade
Insistindo e reinventando a passos largos
Soltando-se no vento, divertindo e velejando.

(Escritora Mj, em 29/11/2016)

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

CADÊ VOCÊ, MINHA MÃE..

Mãe, uma palavra pequenina
Simples, sublime e singela
Nasce e cresce bem consciente
Menina, mulher atraente

Se faz moça decente
Casa e nos braços embala o filho
Consola-o com amor no coração
É tolerante e amiga sincera
Mas quando fica brava 
Não se espante, é pro seu bem
Escuta-o com paciência, aconselha
Com sua verdade ou mentira
Buscando uma solução
No entanto a idade chega
Envelhece na flor da solidão
Assim, meu amigo vou mais além
E deixo pra você um recado
De um simples pobre coitado
Sofredor das amarguras
Pois quem tiver sua mãezinha
Vivendo ainda na terra
Não seja um filho malvado
Cuide dela com carinho
Pra quem não soube aproveitar
Agora só resta lamentar
E orar pro Filho de Deus
Que ela esteja num bom lugar.


(Escritora Mj...28/11/2016)

LIVRO ABERTO

Salve, salve, companheiro
Que no silêncio brando da alma
Escreve com várias cores da caneta
As quatro estações do ano
Nas páginas da vida
Perfumando corações angustiados
Levando conhecimento o ano inteiro
A quem precisa manter viva a chama
Do desejo da leitura num pedaço de papel
Pois candeeiro aceso é arrojamento do poeta
Porém quando parte ninguém vê
E nem sabe por onde caminha
Padecendo suas adversidades
Deixando a porta semi aberta
Mas dentro do quarto vive recordando
Através do pó que descansa na prateleira
Arrumado na estante.

(Escritora Mj...28/11/2016)

domingo, 27 de novembro de 2016

DELÍRIOS DE ADOLESCENTE

Quando o natal se aproxima 
Surgem as lembranças na mente
Pois os olhos da criança tinha um brilho especial
Na calçada ela brincava livremente de casinha
E de pano sempre foi sua boneca
Bem fofinha recheada de algodão
Os cabelos eram soltos sem trancinha
Fazendo um coque amarrado com cordão
Porém na fantasia há uma fresta de luz
Inocentes sonhos incandescentes se apagam
Lá está ela a espreitar veemente
Esperando brotar o futuro à janela
Descamba num mundo desconhecido
Delírio frenético de adolescente conduz
Transbordando o peito de alegria contagiante
A batida do coração se faz mais forte
Encanta ao declarar sentimentos adormecidos
Os olhos da quimera anunciando loucamente
Que a semente plantada outrora germina
E o véu suave da noite no momento
Chega para fechar a cortina do tempo.

(Escritora Mj, em 27/11/2016)

sábado, 26 de novembro de 2016

FOGARÉU DA ALMA

Sigo carregando no peito forte sentimento
O qual atravessa um deserto de areia
Porém a noite insiste a forte ventania
E com o sol do dia amanhecendo
Tento fechar os olhos para a poesia da alma
Enterrando profundamente as feridas
Mas elas não saram então choro
Por ser inclinada a melancolia
E por mais que queira não posso evitar a solidão
Alguns me chamam de louco
Porque quis ser a garça voando na imaginação
O xexéu cantando na bananeira
Ou o altivo rouxinol da cocheira
Sei que sou um eterno apaixonado
Sentindo a natureza ao redor
E sempre serei na simplicidade da vida
Quero envelhecer com lucidez e sabedoria
Tentando esquecer a tristeza
E enchendo o coração de alegria
Do tempo que me resta
Assim jamais me sentirei um ser derrotado.

(Escrito por Maria José da Conceição (Mj), em 26/11/2016)

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

ARROGÂNCIA E TEIMOSIA

- Tu não vai!
- Eu vou sim!
- Eu já falei que tu não vai!
- Ora, eu vou porque tu não manda!
- Larga de ser teimosa!
- Repito que eu vou, é tu na frente e eu atrás!
Foi assim que lá embaixo
Na grande floresta ardia
O fogo queimando a lenha
Mas o povo lá não ia
Com medo do touro arrogante
E da vaca teimosia.

(Escritora Mj...25/11/2016)

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O GRITO DA LIBERDADE

OBS: Para ter acesso ao restante do texto, agora só adquirindo um exemplar do livro O Universo de Maria, caso tenham interesse, basta entrar em contato com a minha pessoa, e desde já também terão a minha gratidão eterna...Bom dia com paz, luz e harmonia.

Quem sou eu? De onde venho? Nasci numa casa e fui para outra, por quê? Alguns nascem perfeitos da matéria e outros defeituosos, tanto da matéria como do caráter, por quê? Após alguns anos, a matéria apresenta defeito, por quê? Estou aqui, por quê? Quem me mandou vir? Qual é minha missão na terra? Para onde irei depois que partir o cordão de prata? Fulano ou sicrano não me aceita, por quê? O que fiz de ruim no passado para merecer castigo? O espírito, alguém pode me falar alguma coisa sobre ele? Viverei até quando? Aonde procurar todas as respostas que preciso neste momento? O que é a essência? Socorro ajuda-me, meu “barco” está afundando, segura na minha mão e não me deixa cair, bradava “Salomão” de braços abertos aos quatro ventos em um dos seus discursos na tribuna, o qual foi convidado para fazer parte da mesa e se dirigindo a platéia à sua frente, continuou. Um assunto para mais de 200 talheres - Fácil, torna-se falar, o difícil é não vincular, uma vez que a própria essência da alma lembra um pouco de poesia leve e sem compromisso, a palavra me lembra flutuar do nada, meu pensamento, mas flutuamos, e encaixando o nosso período na história da vida, porque em si, já é uma arte para quem realmente sabe viver, estou aqui, falando com os olhos banhados em lágrimas que penso nos deslumbres de sentimentos até então inexplicáveis e as incertezas trilhadas pelos caminhos. O “eu”, neste momento, me passa uma emoção, um estado, um sentimento de medo profundo com cores avermelhadas, o solo é uma “zona” porque tem influência diretamente no clima, dizem que sou um perfil dele, outros falam que sou rocha pura recém exposta, mas me falta audácia para acreditar, por fim, chego à bendita conclusão de que é preciso ter consciência dos atos e ações praticados, os quais se compõem de mil nadas como picadas de alfinetes. E digo mais, prossegue Salomão, que na maioria das vezes, o homem, de um modo geral, possui forças enormes ao alcance das mãos, no entanto, vive uma existência artificial, esquecendo do sentido da vida, mas nem sempre tudo é como pensamos...

(Escritora Maria José da Conceição (Mj), em 24/11/2016)

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

SINGELA PERFEIÇÃO DA LITERATURA DE CORDEL

Segui a voz que saía
Daquela casa amarela
Procurei ao redor dela
Entrei enquanto batia
Vi um jovem emocionado
Debruçado à janela
Declamando com a alma
Poesia em simples papel
Na singela perfeição
Da literatura de cordel
Dizia que satanás
Sem audiência marcada
Chegou nervoso e arrogante
Pra tomar satisfação
Com Noel e o guardião
E foi barrado na entrada
Então acendeu o isqueiro
Pra tocar fogo no céu
Num rompante apareceu
Lampião com a escopeta
De quatro canos na mão
Aí foi uma briga danada
Pra afugentar o capeta
Deu-lhe um chute no traseiro
E com a força do pensamento, gritou,
Valei-me meu padrinho
Padre Cícero do Juazeiro
Pois hoje bebo a desgraça
Do fracasso retumbante
Numa mesa de bar sozinho
Pra afogar as mágoas
De alguém que não cresceu
E hoje sofre certeiro
Mas isto serve de exemplo
Pra que não aprenda a confiar
No diabo zombeteiro que apareceu
Vá-se embora seu jumento
Porque esse mundo não é teu!

(Escritora Mj...23/11/2016 - Literatura de Cordel)

terça-feira, 22 de novembro de 2016

METAMORFOSE DA VIDA

A beleza do mar azul se iguala com a cor do céu, e o barulho das suas águas que deságuam como espuma na areia branca da praia, dá uma sensação gostosa de renovação da vida, e para completar esse quadro, vê-se ao longe um navio atracado esperando chegar o momento de se aproximar do porto, por sua vez, os coqueirais cantam seus ais incontroláveis em sobressaltos de encher os olhos dos apreciadores, e as suas folhas bailam com o ritmo da música de acordo com a batuta do vento soprando forte em outra direção, escrevendo canções que a memória jamais esquecerá, fico inerte com a beleza da natureza, então neste enleio vem-me à mente que somos nuvens passageiras e temos que aproveitar os bons momentos, a partir daí, no silêncio da calmaria amo tudo isso e vou arriscando um voo rasante na casa dos sonhos num verdadeiro clima de liberdade o qual entrou na minha mente como um foguete em chamas, e o vento que sopra ao leste dos vinhedos e bananais numa imagem sem maquiagem deu-me várias oportunidades. 

Muita gente nas ruas comentando sobre a situação do país, as notícias do século corriam à boca miúda diante das inúmeras reportagens que passavam em vários canais das TVs ligadas nas lojas de eletrodomésticos, e naquela hora deu-me uma vontade enorme de entrar no bar e tomar um aperitivo antes do almoço, o ambiente estava lotado, ao fundo vi uma mesa desocupada, aproveitei e me dirigi até lá enquanto o barman aproximava-se anunciando o cardápio do dia, era irresistível o cheiro da comida, das carnes grelhadas a olho nu, apesar do céu nublado pedi uma cerveja bem gelada com uma rodela de limão e tira gosto de calabresa enfeitado com tomates, cebola e um punhado de batata palha, confesso, o assunto em tela não me interessava, quis fugir de determinados comentários, logo adiante um casal esperava pacientemente para ser atendido, não havia mais vaga e minha mesa comportava mais três pessoas, este casal vai me tirar da enrascada, pensei, fiz um gesto com a mão chamando-o, atendeu e os dois fizeram-me companhia, observei-os de perto, a mulher bem vestida mantinha um ar de preocupação e não retirava os olhos do seu acompanhante o qual mantinha a cabeça baixa, alheio a tudo e a todos, ele sonha sonhos inigualáveis, enquanto isso fala dormindo e de olhos fechados vai escrevendo os sentimentos, através de frases sem nexo, pausando-as de vez em quando para coordenar os pensamentos, como algo que falta ao amanhecer dando uma sensação indescritível, mesmo disfarçando notei que o mesmo balbuciava alguma coisa e a mulher encostando sua boca no ouvido dele, e sem soltar-lhe o braço, falou nitidamente,



- Tenha calma, você está fazendo uma viagem no tempo e tomando o rumo de um amor inacabado, mas se vive o presente é melhor não olhar para o passado, porque ele agora servirá de espelho para o seu futuro, e a boca jamais pronuncia o que se esconde no pensamento, a não ser em sonhos inventados, como agora, segue travando suas batalhas chegando a uma infância e juventude quase pela metade, virando-se para o lado oposto, pergunta se a companheira entende o que ele está falando,


- Sim, entendo, responde solícita e atenta a cada palavra, entretanto ele não estava ouvindo absolutamente nada, e como ela era conhecedora da sua maneira, esqueceu o sono revigorador e deixou-o continuar nos seus devaneios,

- Homem ao mar, homem ao mar, sigam-nos os bons! Ou então,

- Façam suas apostas, senhores, vermelho 23! E ia mais além,

- Não pode se entregar por esta vida marvada, há se eu pudesse...O que você está fazendo? Ou ainda,

- Bebo a desgraça do fracasso
Numa mesa de bar sozinho 
Pra afogar certas mágoas
De alguém que não cresceu
Mas isto serve de exemplo
Pra que não aprenda a confiar
No diabo que apareceu. 

Mesmo sabendo que em seus devaneios ele não a ouvia, sua companheira tentava replicar. Eu não me contive, ouvi calado toda aquela história, mas em dado momento perguntei quais foram os motivos que levaram o senhor “Neguinho das pedaladas”, como a sua esposa o chamara, todas as noites ter seu sono agitado, então a esposa me falou que num determinado dia ele pegou a estrada da mata para cortar molhos de palmeira, fazerem cestos e venderem. era assim teriam mais uma renda no final do mês, e ao chegar lá levou uma carreira danada, escondeu-se atrás de uma moita e viu o danado de um preá pendurado na boleia do caminhão, retornou pela estrada, ao longe encontrou uma casa com varanda e ali estava uma menina sentada numa rede balançando pregada em dois esteios, quando ela olhou começou a gritar, “ai, sai seu Zé”! Ele disse que correu para acudir a tal menina, pois pensou que ela estava em apuros, olhou para os lados e sem querer avistou um bezerro voando, dizendo que quando olhou o bezerro o referido pedia passagem, minha filha, meu marido disse que em dado momento sentiu tanto medo que caiu de ribanceira abaixo, arranhou-se todinho, desmaiou e quando acordou tinha um passarinho cantarolando ao lado, bem que te vi...era um bem te vi, foi assim que ele voltou para casa desanimado, amarelo, muito chateado porque não conseguiu o que queria, daí por diante ficou desse jeito desmemoriado, mas quando dorme lembra tim, tim, por tim, tim, é inacreditável.

- Como você conheceu “Neguinho das pedaladas”?


- Conheci-o, respondeu Virna, se apresentando nos semáforos, nos pontos de ônibus lotados das praças, com uma bola e uma bike aro 29, ora ele estava com a bola na cabeça, ora com a bicicleta, sempre fazendo suas piruetas, daí a população o batizou carinhosamente com esse nome, fui embora, porém quinze dias depois retornei e o encontrei com da primeira vez fazendo as mesmas coisas, então sentei ao lado esquecendo-me do tempo e quando ele terminou seu trabalho me cumprimentou com um sorriso, conversamos por horas intermináveis e para encurtar a história, o senhor acredite ou não, em pouco tempo estávamos casados, mas como lhe relatei, após o trauma sofrido ele foi diagnosticado com a síndrome do pânico, não pode ficar um só instante sozinho, porém teve um dia que me descuidei dele e senti que alguém tentava despertar-me, abri os olhos e ainda sem acreditar, este alguém com uma folha de papel nas mãos diz por entre o espesso vidro transparente,

- Cuidado com o “coelho”! Procurei embaixo dos bancos na sala de espera do consultório e não vi coelho algum, isso deveras me assustou, porque aquela não era a minha intenção de machucar qualquer animal, e continuo falando porque as pessoas ao redor não retiravam os olhos de mim,

- Qual coelho o senhor está a falar? Por aqui não passou nenhum bicho, mas o homem abre a estreita porta com cuidado, caminha na minha direção aparentando um pouco de preocupação, e sem deixar de sorrir, retruca apontando o local, nossa, que equívoco, eu pensei comigo mesma, 

- Senhora, o seu “joelho” está inchado, por isso falei que precisa ter cuidado com ele, aqui tem mais espaço, colocando um banco para que eu estirasse a minha perna, agradeci a gentileza e retribui o sorriso amável daquele homem, assim novamente fechei os meus olhos e continuei a ruminar os meus pensamentos que naquele instante eram muitos, dez minutos depois fui interrompida, chamaram-me pelo nome, chegou a minha vez de entrar para fazer o exame tão esperando, porque coração não é brinquedo e enquanto ele continuar pulsando, haverá dentro de mim uma paixão escondida no seguimento da própria vida. 

Pousando aqui e acolá, o homem escreve momentos enquanto que a mulher mesmo freando seu ego, sai descrevendo sentimentos, e outros nem isso fazem, se isolam do mundo, mas o amanhã é uma incógnita, cheio de surpresas, e nas idas e vindas retornam para o mesmo lugar, é por isso que mantenho vários cadernos atualizados e guardados.


(Escritora Maria José da Conceição<Mj>, em 22/11/2016)

domingo, 20 de novembro de 2016

DIGA NÃO AO PRECONCEITO

Estamos em pleno século XXI, as mudanças do tempo na vida do homem trás benefícios, e aos olhos de Deus não existe raça superior ou inferior, somos todos iguais sem nenhuma consequência, não tem jeito, numa diversidade de cores e raças, preto, amarelo, cafuzo, branco, gordo, magro, deficiente, seja lá o que for, pois fazer juízo errado é trapaça pura, o importante é ser direito, mas parece que ainda vivemos na era primitiva, porque muitos continuam com a mente aprisionada, e não se julga alguém sem antes o conhecer, pois a cor do sangue é vermelha e corre nas nossas veias, à cor da pele, a opção sexual, o ódio, a miséria e a ignorância tudo isso tem apenas um nome: PRECONCEITO. É preciso retirar a trave dos olhos e enxergar a liberdade ao redor, e um dia quando isso acontecer, tenho certeza de que o mundo será melhor.
(Escritora Maria José da Conceição (Mj), em 20/11/2016)

sábado, 19 de novembro de 2016

#DESABAFOSDEUMAARTESÃ#

Alguém me perguntou se eu gostava de fazer crochê, respondi que sim, me sinto realizada em cada peça fabricada pelas minhas mãos, porém foi necessário parar, e ela perguntou,

- Por quê você parou? Então eu respondi,

- Eu parei porque alguns clientes querem que eu faça crochê por amor a arte...ela insistiu,

- Ora, mas ter amor pela arte é essencial...

- Sim, o amor é essencial, no entanto não paga as contas e nem o material que utilizo para satisfazer a vontade dos outros...ela ficou calada com a minha resposta...

(Escritora Mj e M.J. Crochê-Design, em 19/11/2016)

LUA INSPIRADORA

Deixa-me poetar, oh, natureza mãe
Em homenagem a tua beleza exuberante
Que nos presenteia quinzenalmente
Com um belo espetáculo no céu
É a lua cheia de inspiração constante
Trazendo venturosa alegria
De dia adormece no véu
Daquela nuvem branquinha
Mas ao anoitecer retorna linda
Munida de força pra festejar
Com os amantes casais enamorados
Os quais deliram sonhos na mente
Porém guardados no coração!

(Maria José da Conceição, em 19/06/2016)

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

LUTA RECONHECIDA

Passei a noite em claro, mas isso foi necessário a fim de fazer um balanço de tudo o que aconteceu, e na história que eu vou contar sonhava a menina de que quanto mais caminhava o passado se distanciava de um futuro brilhante porém desconhecido o qual lhe aguardava eternamente, entretanto pensava ela que esse dia não iria chegar, mas o destino traçado igual a uma feira ambulante conseguiu modificar a sua trajetória secular, pois de tanto acreditar viu seus sonhos serem realizados. Eu sei que as palavras são poucas para expressara ao ver reconhecido um trabalho travado de luta nos sentimentos que habitam neste momento dentro do reino encantado de agonia o qual aprendeu aos trancos e barrancos, meu amado, como andar de bicicleta e sem medo de olhar o horizonte, pois os teus olhos de quimera de longe me observou, corrigindo alguns erros, e com a caneta ou sem ela, conseguiu selar para sempre uma amizade sincera a qual levarei guardada no coração para o resto da vida.

(Escritora Mj, em 16/11/2016)

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

PENSANDO EM TI

No silêncio do mar, no silêncio da brisa
No silêncio da noite, na incerteza da vida
O que se faz? Encontra o quê?
Vou dizer o que acontece
Se falamos de amor e desamor
Uma esperança vazia a tombar de agonia
Porém se eu tentar te esquecer
Será mais sofrimento e dor
E vou lastimar minha sorte
Pois forte como a morte bem assim é o amor
Lá se vai a idade devagar bem diferente
O tempo passa veloz no silêncio do mar
E a gente?
É, fica a pergunta no ar...

(Maria José da Conceição <Mj>, em 16/11/2016)

terça-feira, 15 de novembro de 2016

ANSEIO A TUA PROCURA

Olhos de olhos nos olhos que te vejo
Ouço cantar na janela o rouxinol
Saber que canta encanta e me faz bem
Braços fortes, loucura assim luxúria
Deixando levar mais forte o suspirar de alguém
No mais profundo anseio a tua procura
Buscando longe, bem longe em alto mar
Lá navegam grandes barcos a singrar
Parando em novas terras, horizontes até encontrar
Um canto como encanto vejo por cá
Do nada que não sou capaz em berço
Brincando enfim com as palavras não esqueço
Pensando nisso muito mais almejo
Como um soldado armado
Marchando firme, irei
Acreditando na esperança pra não mais voltar
Mostrando com peito aberto, sem medo
Que nenhum espinho pode machucar
Pois o mundo é grande e não me perco
E no anonimato escondido 

Quem sabe esse livro estudarei
E bem no meio da multidão resolverei
Toda questão se assim for o teu desejo.

(Escritora Maria José da Conceição (Mj), em 15/11/2016)