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segunda-feira, 4 de julho de 2022

PRECIOSO OLHAR

Os olhos que espreitam majestosos,
calorosos no abraço do amor,
deleitam-se na fantasia do sonho,
transformando a dor em poesia.
Os olhos que espreitam gentilmente,
revelam na mente um desejo inebriante,
como a rosa cintilante, amada flor.
Os olhos que ofuscam o viajante,
teimam em brilhar constantemente,
no endereço indicado dos amantes.

Mj, em 04/07/2022.
 

sábado, 22 de maio de 2021

ROSEIRA DESBOTADA

Chega à noite, e enquanto a chuva cai, o vento enrodilhado beija as flores e espinhos, retirando-os do caminho para observar o céu estrelado, refrescando o rosto com as gotículas de orvalho.
Uma roseira circula no tempo, caminha em desfavor do vento sem saber que rumo tomar, tendo apenas as lembranças como companhia. O começo do fim estava no seu encalço.
Viu-se flor criança nascida do amor de uma roseira pequenina que estava ali para lhe proteger, mas alguém na escuridão arrancou-a do galho da mãe e a levou para ser plantada noutro jardim. A primeira sucumbiu.
Era um jardim desconhecido, porém adubado, pois sentiu seus pés fincados no chão macio. Olhou ao redor e chorou ouvindo várias vozes desconexas. Ela nada entendeu.
Estranhou tudo, tinha um novo mundo para ser descoberto. Mais tarde ela pode chamar aquela roseira de mãe e o cravo ao lado, de pai, e nada lhe faltou. Ela sabe o que tinha guardado dentro de si.
Aproveitou o quanto pode, distribuiu carinho e atenção através das rosas nascidas dos seus galhos. Sonhou e teve a liberdade de amar intensamente carregando no olhar a florzinha inconsequente. Mas será que um dia ela foi amada também?
Eis a pergunta que não quer calar.
- Eu não sei como ainda resisto a tantos dissabores que a vida me proporcionou, também não sei se aguentarei o peso dos anos, meus galhos estão secando e as folhas murchas dão-me adeus gradativamente!
É muita solidão sem ter alguém ao lado para dividir essa agonia!
É muita tristeza acumulada no coração!
Neste momento sinto-me fraca, frágil, não passo de uma roseira desbotada, ou um número qualquer caminhando no meio da multidão de flores viçosas!
Até guando?
Outrora eu fui flor do campo untada com óleo sagrado, uma raridade universal num puro romantismo, hoje sou esquecida, as lembranças tornaram-se dolorosas e quando bate no peito não tem jeito, restando apenas saudade de um tempo que não voltará porque o copo de cristal espatifou-se e não dá para juntar os cacos.
E nesse emaranhado de raízes secas, no outono do lobo que devora a morte, escrevo cartas e jogo-as ao vento, desperdiçadas e sem respostas, as quais amanhã serão esquecidas nas gavetas do pensamento voraz.

Mj, em 08/05/2021.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

ERA UMA VEZ UM BURRO

Preserve a vida e a natureza! Boa semana com bons fluidos!
A realidade de um animal maltratado,
Pisoteado pelo dono,
Um dono sem coração,
É o que mais se vê por aí.
Essa é a história de um burro,
Um burro de estimação,
Puxado por outro burro
Que tinha as rédeas na mão.
Era o passageiro da agonia
Na carroçada que ele trazia
Pra outro burro comer.
O coitado levava lapada a fole,
No lombo com a rabichola,
Ouvindo o outro gritar,
Você não tem serventia,
Engole então esse choro,
Vá trabalhar vagabundo
Que ainda não é meio dia!
Alguém ouviu o lamento
Daquele animal sofrido,
Chamando o dono burro à parte,
Fez descer a carga,
Acabando com o alarido.
O burro por sua vez,
Magoado com aquela atitude,
Guardou tudo na cachola,
Resolveu se rebelar,
E numa noite chuvosa,
Quebrou o cadeado com um coice,
Olhou pra um lado e pra o outro,
Não viu ninguém, e foi-se!


Mj, em 15/02/2021.

terça-feira, 6 de outubro de 2020

UMA CANÇAO DE NINAR

Cantando sem amargura, liberto com doçura a criança que existe em mim! Boa tarde! Um abraço.
Uma canção de ninar,
Guardada dentro do peito,
Além de agradar de jeito,
Trás doçura ao coração.
Uma canção de ninar,
É muito mais que somente escrever,
Costura as feridas do passado,
Num gesto de amor pra você.
Uma canção de ninar,
Liberta a fantasia da criança,
Ao recordar o quintal feliz,
Daquela casinha amarela,
Enfeitado no universo da poesia,
E pintado com as cores da aquarela.
Assim, uma canção de ninar,
Na amargura dos nossos dias,
É risco de giz na flor de carmim,
Fonte segura no portal da meditação,
Nos amores que existem em mim,
E espalhados em cada verso jogado ao mar.

Mj, em 06/10/2020.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

CACHOLA DESMIOLADA

O mundo sem fantasia é como o vento soprando e sem ninguém para sentir a sua força!
Contarei pra você,
Sentado nesse cantinho,
Que o abalo da paixão,
Cansado de tanto sofrer,
Desesperou um coração sentido
E de emoção, sucumbiu.
Antes andava sozinho,
Sem ninguém pra amparar,
Voou pra fora do ninho, danou-se,
Esqueceu que não tinha asa,
Pousou num monte de espinho,
No rancho fez uma pausa,
Na causa ali, espetou-se,
Com o dono da casa,
- Aqui tu não vai entrar, atrevido!
Era o que um dizia
Enquanto o outro respondia
- Moço, eu não sou bandido!
- Mas na porta está escrito:
“Proibido a entrada de estranho”,
É por isso que eu me oponho!
- Tirano da língua ferina,
Tu não és nenhum soberano!
- Posso não ser realmente,
Mas tu és cabra do mau,
Se tu desejas entrar no pau,
Periquito de água doce,
Lavarei as minhas mãos,
Mande chamar teu patrão
Pois tu não és possuidor de vintém!
- Chamam-me de passarinho,
Codinome beija-flor,
Trago a semente do bem
Inclusive do amor!
Foi um desespero medonho
Acordando daquele sonho
Trancafiou-se no quintal,
Ficou tão desconfiado
Da vergonha que passou
Que a brabeza sumiu
Indo pra ponte que kaiu
E o fogo que apagou.

Mj, em 16/09/2019.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

CORRENTES DA FANTASIA

Liberte-se das correntes e voe alto no sonho da poesia!
Com a poesia no ar
Não tem jeito
O poeta escreve momentos
Vivendo num tempo de glória
Incendiando os sentimentos
Reprimidos na história
E no raiar do dia
A garça toda contente
Agradece a alegria
De poder colaborar
Na harmonia da aurora
Pois há tantos beijos
Em meio á calmaria
Tantos olhos que não vejo
Nos desejos tantos zens
Tantos bens de sentinela
Da donzela que suspira
Debruçada na janela
Pintada de cores
Sonhando com os amores
Para libertar as correntes
No presente poetar
Da fantasia guardada no peito.

Acadêmica Maria José da Conceição (Mj), em 20/10/2017
Cadeira: 24
Patrono: Luiz Vaz de Camões.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

CAMINHOS DE LUÍZ VAZ

Sem pensar em desistir, vá em busca dos sonhos, eles existem, bom dia!
ACADEMIA VIRTUAL DE ARTES LITERÁRIA
Cadeira: 24
Patrono: Luíz Vaz de Camões

Acadêmica: Maria José da Conceição (Mj)

Pode até ser fantasia
Mas vinculei no pensamento
Fazer algo especial
Sobre o nobre patrono
Que ganhei na academia
É Camões, o Luiz Vaz
Escritor português
Da tradição ocidental
Como a sua poesia
Possivelmente nascido
Na cidade de Lisboa
Daí percorreu caminhos
Nas estradas da vida
Totalmente numa boa
Frequentador da corte
Num pequeno mundo burguês
Amou muito e foi amado
No fogo que arde sem doer
Navegando em mar
Antes nunca navegado
E para século sem fim
Escreveu vários sonetos
Dominou literatura e latim
História e muito mais
Transformou em peça teatral
Depois foi exilado
Mas o nobre namorador
Não se deu por vencido
Alistado como militar
Lutou o bom combate
Perdeu um olho na batalha
E passou muito mal
Num mar tempestuoso
Com a alma amargurada
Repleta de sentimento
Porque não viu sua obra
Ter um pouco de atenção
Morreu pobre e esquecido
Não sei se foi do coração
Deixando um grande legado
Até para a posteridade
Porém depois de morto
Seu trabalho fez sucesso
Tendo fama consolidada
Nas prateleiras do progresso
Com mistérios e lendas
Recheadas de aventuras.

Palmeira dos Índios-Al, em 29/09/2017.

domingo, 3 de setembro de 2017

SEJA LÁ ONDE FOR MEU BEM

Descubras o caminho e perceberás a verdade! Boa semana para todos.
Chegou uma nova era
Repleta de flores e magia
E com ela o mês de setembro
Cheio de cores na primavera
Acendendo com a poesia
A fantasia dos amores
Nos corações apaixonados
Fazendo em cada encontro
Uma nobre conquista
É coisa de ver para crer
Porque há satisfação e vontade
De sentir-te em todo momento
Bem juntinho do meu peito
Vida e morte são benquistas
Pois tu me dás tanto prazer
Que de longe não resisto
E vou mais além
Nos teus braços eu me visto
De puro contentamento
Fico todo empolgado
Com teu beijo molhado
Inebriado de carinho
Pegando-te de jeito
Na cama ou na cozinha
No banheiro ou no sofá
Na rede da salinha
No escondido do matinho
Ou no canto da parede
Seja lá onde for meu bem
O que eu quero mesmo
É te deixar zen!

Poetisa Mj, em 03/09/2017.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

NAS VOLTAS QUE O MUNDO DÁ

Amor, ah, o amor
Onde estás que não te vejo!
Tem gente desajustada
Desencantada e cheia de fantasia
Carregando dentro do peito
A malvada tristeza
Na fria dor.
Mas o amor precisa de óleo
Para tornar dourada a sereia
Que habita no mar encantada.
Um barco ou um navio à deriva
Desviando da rota
E não tendo como ancorar
Assim é o amor dos amores
Nas voltas que o mundo dá.
Uma combustão tão valente
No pequeno mundo presente
Amor, ah, o amor, onde estará!
Esse era o desejo
De alguém que queria amar.
Porém o sexto sentido assim diz
Não faça isso aprendiz
Seja você e mais ninguém
Nessas voltas do mundo.
E não tendo como ficar
Corra de lá mais de cem
Pois mesmo um vagabundo
Tem um amor para abraçar.
À noite pega a viola
Que sai cumprindo sua sina
E nas mãos do seu companheiro
Ela não descontrola
Toca mais que uma vitrola
No Nordeste brasileiro.
Seja no céu, no chão ou no mar
É preciso ter cuidado
Nas voltas que mundo dá.

Poetisa Mj, em 02/08/2017.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

NÃO DESLIGUE O RÁDIO

Não desligue o rádio
Não quero lhe ver triste
E nem morrer de tristeza
Então deixa meu coração ouvir
E sentir a bela música
Que toca baixinho ao meu ouvido.
Deixa florir esse sentimento
Não desligue o que ainda resta
E que nos une pela fresta da porta
Porque foi aqui que muitas vezes escrevi
Palavras soltas rebuscadas de sonhos
E fantasiadas na imaginação
Nas duas linhas paralelas
Seguindo na mesma direção.
Eu sei que são mundos diferentes
Porém é assim que vejo
Dois temidos caçadores
E cada um com suas dores
Silenciadas através do tempo.

Escritora Mj, em 16/02/2017

domingo, 27 de novembro de 2016

DELÍRIOS DE ADOLESCENTE

Quando o natal se aproxima 
Surgem as lembranças na mente
Pois os olhos da criança tinha um brilho especial
Na calçada ela brincava livremente de casinha
E de pano sempre foi sua boneca
Bem fofinha recheada de algodão
Os cabelos eram soltos sem trancinha
Fazendo um coque amarrado com cordão
Porém na fantasia há uma fresta de luz
Inocentes sonhos incandescentes se apagam
Lá está ela a espreitar veemente
Esperando brotar o futuro à janela
Descamba num mundo desconhecido
Delírio frenético de adolescente conduz
Transbordando o peito de alegria contagiante
A batida do coração se faz mais forte
Encanta ao declarar sentimentos adormecidos
Os olhos da quimera anunciando loucamente
Que a semente plantada outrora germina
E o véu suave da noite no momento
Chega para fechar a cortina do tempo.

(Escritora Mj, em 27/11/2016)

sábado, 5 de novembro de 2016

ENGENHO DE UM POETA

(Escrevi este poema em 23/08/2014, e no mesmo ano ele foi escolhido através de concurso organizado pela Pastelaria Studio Editora, em Portugal, para o Poemário 2015, cujo livro contém vários autores.)


Bem vindo ao reino encantado
No mundo de fantasia
O poeta é arquiteto, engenheiro
Fazendo do lápis e papel
Sua arte dia após dia
Escrevendo versos à granel
Palavras e frases fluem abundantes
Lembranças jamais esquecidas
Da infância, vidas vividas
Sentimentos da alma aos montes
Às vezes não precisa ser formado
Esse dom o acompanha
É mais um curioso escolado
Na própria história da vida
Quem lê, se encanta, se vê
Naquele escrito em forma de poesia
Escreve com clareza, leveza da alma
Lá dentro tem tanta firmeza
Como a própria natureza exuberante
Sem nunca fazer alarde
Pra que o mundo o veja
Poeta também é arrojado
Na luz do candeeiro
Escreve um pouco apressado
Quando precisa ser brejeiro
No entanto sofre calado
Só ele sabe o que sente
Tem que botar no papel
O que guarda na mente
Senão vai sair chamuscado
Do próprio reino encantado.

(Escritora Maria José da Conceição, Mj, em 05/11/2016)