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quinta-feira, 17 de junho de 2021

ALVORADA ESPERANÇOSA

Longínquo está o tempo
Em que as flores na estrada
Despertavam sentimentos
Sem serem despetaladas!
Cientes de que tudo tem começo,
Um meio incerto e duvidoso,
Longínquo está o pensamento cabuloso,
Acalentado pela saudade desabalada,
Quando a pétala animada pelo vento,
Esperava paciente a chegada dos amores,
Na resplandecência de uma nova alvorada,
Alento meditado nos valores da esperança!

Mj, em 17/06/2021.

domingo, 16 de maio de 2021

O CANCIONEIRO DA ESTRADA

Agonia falou que nos tempos da mocidade,
Não havia tanta asneira,
O vate viajava do agreste ao sertão,
Observando o xexéu voar e cantar,
Atrepado no pé da bananeira!
Desespero retrucou a falação,
Que ele foi o cancioneiro da estrada,
Não havia combate que ele não combatesse,
Seguia avante sem nada reclamar,
No sorriso cativante de adolescente!
Aflição rebateu que quando abria os olhos,
Via-o desenhado na mente,
E se o sinal do tempo mostrar algum disfarce,
Saibas que um dia tudo será escancarado,
E na simplicidade do murmurar!
A menina curiosa entrou na roda,
Falando de maneira aguerrida e com euforia,
Que o sol brilhará contente,
Porque as boas energias vivificam o universo,
Trazendo a felicidade na rotina da vida!

Mj, em 16/06/2021.

segunda-feira, 5 de abril de 2021

EU NÃO SEI SE O SENHOR SABE

A luta continua, mas o importante é não perder a esperança! Boa semana!
Sou caipira nordestino, nasci lá no sertão,
O que eu sei fazer desde menino
É plantar um bom roçado, cultivar e colher,
Depois vender na feira da cidade,
Pra ganhar o pão com muita dignidade.
Dá dó até de contar que sofri um prejuízo
Prejuízo dos grandes, daquele de amargar,
O causador foi um furão enxerido,
Vizinho do formigueiro, ele comeu as flores vingadas,
E acabou com a lavoura plantada no meu terreiro,
Eu fiquei tão aperreado e sem dinheiro pra pagar
A primeira prestação assinada,
Então botei o pé na estrada pra falar com o fazendeiro,
Quem sabe, ele me daria um prazo maior...
- Patrão, eu não sei se o senhor sabe o que aconteceu comigo,
A real situação parece até um castigo,
Meu coração chora de dor!
Após contar o ocorrido e ouvir dele um sermão,
Sem perder de vista o sorriso matreiro,
Saí de lá escorraçado e cabreiro,
Perdi até a casinha amada, construída com as minhas mãos.
Carece ter juízo pra não cair,
Mas quem tem fé em Jesus não padece,
Pois quando o sol resplandece,
Deixa-nos pronto pra lutar e vencer.
Mj, em 05/04/2021.


 

sexta-feira, 12 de março de 2021

BICHO MATREIRO

Lá vai o vaqueiro,
Sorridente na estrada,
Montado no seu cavalo,
Pra tanger o gado ligeiro.
Vaqueiro bom de espora
Faz golaço com o touro,
Não tem medo de caipora,
Limpa até bebedouro.
Ele é bicho matreiro,
Separa o bezerro da vaca,
Pega vela e faz aboio,
Corta pau e faz estaca,
Da cana ele faz melaço,
Com o trinco da manivela.
Vaqueiro não é camarão adormecido
Fascinado pelo mar,
Nem tão pouco pássaro ferido
Com medo de voar.

Mj, em 12/03/2021.

domingo, 19 de julho de 2020

SIMPLES PALAVRAS

O verdadeiro amor ensina a ter confiança! Ótimo domingo. Um abraço.
Nas rochas iluminadas,
Sem tristeza no olhar,
O pensamento varonil,
Vagueia sobre o sertão,
Enquanto a chuva entoa a canção,
Sente o cheiro da terra encharcada,
Marcada na rima do amor,
Saboreando a beleza da paisagem,
No quadro da imaginação.
Espelho d'água a refletir,
A cor do céu azul anil,
Natureza a palpitar,
A vibrar de emoção,
No coração do Brasil.

Mj, em 19/07/2020.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

NUVENS ALINHADAS

Se plantando, tudo dá, então basta semear a semente do amor no coração, só assim a paz e a harmonia reinarão no mesmo endereço!
Naquele dia encantado,
Vi algo se remexer perto da clareira,
Corri para ver do que se tratava,
Era o bem-te-vi cantarolando
Na folha da bananeira.
De repente, rufam os tambores,
As nuvens alinhadas,
Carregadas do vento forte,
Aparecem com o véu de chuvas,
Enfeitando o céu nublado
Escurecendo o sertão,
Pois não tem comparação
Da festa realizada pelo raio o trovão,
A população inerte sente a emoção,
E agradece o gesto da natureza
Que fornece o bálsamo da vida
Esparramadas pelo chão do Nordeste.

Mj, em 04/02/2020.

sábado, 18 de janeiro de 2020

SONHO DE SER POETA

A insegurança é uma prática a ser combatida! Bom fim de semana! Um abraço.
Na construção de um mundo melhor,
Procurou ouvir a razão,
Travas foram retiradas
No chão acalorado
Da caatinga do sertão.
Seu coração amoleceu,
E através da janela aberta,
Olhou para o horizonte,
Viu que podia continuar,
Jogou a tristeza fora e sorriu,
Realizando o sonho de ser poeta.

Mj, em 16/01/2020.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Camaquiano


O luar do sertão deixa o coração apaixonado! Boa semana para todos! Um abraço.
Luar amarelado
sertão iluminado
estrada deserta
universo encantado.

Mj, em 07/10/2019.

sábado, 29 de junho de 2019

CAUSOS DO ARRAIÁ

Não fique chateado, seu moço, aqui só tem alegria, venha comprovar o causo que vou contar!
Lá vem o moço arrumado,
Calçado numa chinela,
Olha pra uma lindeza
Parecendo a cinderela,
Vestidinha de chita,
Com trancinha no cabelo,
Pintada igualmente a natureza,
Sua mente ligeiro diz,
É ela que eu vou chamar,
Pra ser meu par no salão!
Pare de embromação,
Não ficarei vigiando,
Mas se o balão está subindo,
Entre que a casa é sua,
Vá logo se arrumando
Que a festa vai começar!
Tem fogueira no terreiro,
O braseiro só aumentando,
Então fique relaxado
Pra dançar um xaxado
Do tempo de Lampião,
Coco de roda pra mim é pouco,
Acho que vou merendar
O prato com canjiquinha,
Pamonha no caçuá,
Trato no milho verde
Dentro da sacaria,
Esparramado na cangalha,
Mungunzá no caldeirão
Que é pra terminar o mês,
Hoje vou me esbaldar
Vendo a poesia desfilar
Do Brasil ao estrangeiro,
Aqui neste Sará
Do “ARRAIÁ JUNINO”,
Promovido pelo Grupo Luso-Brasileiro,
E se agrada a freguesia,
Duvido que haja outro iguá!
Mj, em 29/06/2019.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

POR FALAR EM AMOR

Ama a lua enamorada,
As estrelas em movimento,
O sol bem camarada
Caminhando nas pradarias,
Pois os ais que ali sentia,
Dissiparam-se com o tempo.
Ama a aurora de cada dia,
Fazendo-se radiante,
Como a luz que alumia
A estrada do sertão,
Castigado pela seca.
Mas com a chegada do amante,
Conta em segredo ao vento,
Que hoje tem um amor,
E pode seguir adiante,
Prazeroso de esplendor.
Diz que é remédio e alento
Ao coração esfarrapado,
Desguarnecido de esperança,
Sabedor que na morte
Não há vencido e nem vencedor,
Apenas um sonho adormecido
Na escuridão da noite
Que estará livre de envolvimento
Seja lá com quem for.

Mj, em 27/05/2019.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

ENCONTRO MARCADO

Valendo-se do galho ao relento,
Ouviu a voz do coração a palpitar
Na lentidão do tempo.
Lembrava-se do expressivo olhar
Ao soltar o largo sorriso amarelo
Pela alegria do cantar do rouxinol,
No abanar das folhas nas árvores
Através do vento soprando forte.
Era o grito da esperança
Nas flores que nasciam viçosas
Tomando conta do cercado.
Em cada canto visitado,
Achava aquilo tão belo
Que se perdia de encanto
Pelo clima do interior,
Matando enorme saudade
Da criança que ali morou
Apreciando a natureza viva do sertão
Num sonhar inacabado da meninice.
Desculpou-se pela idiotice
De reviver o passado distante,
Retirou-se pela tangente
Num encontro marcado com o presente.

Mj, em 25/04/2019.

sexta-feira, 15 de março de 2019

UNIVERSO DA POESIA

Desejo a todos um bom fim de semana! Um abraço.
Olhando de supetão
Pareço mais um menino
Ao ver o benefício divino
Caindo através da chuva
Molhando o chão seco da terra
Embelezando a natureza
Nativa deste torrão.
É água que vem dos olhos
Pétalas de flores brotadas
Retirando mágoas e dores
Do coração da amada
Numa eterna hegemonia.
Só ela sabe o que sente
Quando chora por seus amores
Num momento de agonia
Gemendo noite e dia
Ouvindo o grito do trovão
No universo da poesia
Sentida por toda gente.

Mj, em 15/03/2019.

domingo, 30 de dezembro de 2018

SAUDADE DO INTERIOR

Feliz Ano Novo recheado de saúde, paz e harmonia!
Quem viaja para o sertão,
Vê casas e casinhas,
Construídas na estrada,
Mesmo sendo pobrezinhas,
Tem paz e tranquilidade,
Sem falar na alegria,
Estampada no rosto do morador,
Fazendo o coração da gente,
Vibrar de pura emoção,
Sentido o clima do interior,
Através do vento soprando forte,
E na sutileza dos pássaros,
Que sobrevoam o infinito,
Encantando a natureza,
Acalmando a saudade do coração.

Mj, em 27/12/2018.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

O BÁLSAMO DA VIDA

Quando o céu escurece no sertão, a população se anima e agradece pelo bálsamo da vida! Bom fim de semana.
Se bem me lembro,
O mês de dezembro,
É tempo de calor,
De quentura abafada,
Figurada na brandura,
Da prece de amor,
Levada na agitação do vento,
Ao ver o céu escurecido,
Mudando a temperatura,
No bramido do trovão.
Lá vem a chuva fina,
Caindo neste torrão,
Um bálsamo abençoado,
Para a seca do sertão,
Que umedece a terra quente,
E logo nasce a semente,
Da plantação querida,
Sem falar na população,
Animada e agradecida,
Por ver a vida renovada,
No botão que desabrocha,
Da roseira preferida.

Mj, em 11/12/2018.

domingo, 9 de dezembro de 2018

TAPERA DESTRUÍDA

Uma geração que infelizmente está em extinção...boa semana a todos. 
Relembro com muito gosto,
Daquela tapera caída,
Eu brincava no terreiro,
Com a animação da bicharada,
Sozinho ou com a meninada,
Pisava descalço no chão,
Sem me importar com a quentura,
Corria atrás do meu cão,
Sem medo de me ferir,
Enchia-me de espinho,
Ou ralava-me no mourão,
Retornava pra estrada,
Mantendo sempre no rosto,
O sorriso da traquinada,
De prender gato na casinha,
A galinha no chiqueiro
E porco no galinheiro,
Ou no meio da manada,
Atrapalhando o vaqueiro,
Mas hoje tenho amargura,
De vê-la assim destruída,
Guardando o sonho e a emoção,
Da minha infância querida,
Que nunca mais retornará,
A não ser em outra vida,
Se assim o bom Deus permitir.

Mj, em 09/12/2018.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

CORRE ZÉ PERU

Mais um ano que termina, pois o natal se aproxima...
Na caatinga do sertão,
Pavão é bicho misterioso,
Além de ser emplumado,
É colorido e vaidoso,
Exibindo-se facilmente,
Numa dança de salão,
Ele estava aperreado,
Ao falar para o seu peru,
Soluçando na janela,
Da sua enorme frustração,
Pois teve um dedo quebrado,
Lutando com o urubu,
Por causa de uma prenda,
Novinha e bem faceira,
Ela chegou á fazenda,
Requebrando as cadeiras,
Então ficaram encabulados,
Quando a viram na panela,
Para a festa do peão,
E mais que de repente,
Ouve-se de longe um brado,
- Sai ligeiro do milharal,
E corre Zé Peru,
O natal está chegando,
Senão quem vai pra panela é tu!

Mj, em 03/12/2018.

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

COMUNICADO

Enquanto o tempo passa, a saudade vai tomando conta do pedaço...
Comuniquei ao patrão,
Que a saudade bateu forte,
E na semana que vem,
Retornarei pra o norte,
Entre o sertão e o agreste,
Do nordeste brasileiro,
Mas não tenho dinheiro,
Pra chegar lá de avião,
Viajarei no comboio do trem,
E encontrarei meu amor,
Filha de “cabra da peste”,
Homem macho sim, senhor,
Que mora por trás da serra,
Naquele torrão batido,
Porém é muito querido,
Daquela casa amarela,
Construída no quintal,
Na frente tem porta e janela,
Arrumada que é uma beleza,
Se alguém tiver a sorte de visitar,
Encantar-se-á com a natureza,
E de longe se pode avistar,
Um pé de goiabeira,
Vizinho ao pé de juá,
Protegendo a bananeira,
Que é pra ela não brigar,
Com o pé de fruta pão,
Namorado da ingazeira,
Plantado lá no roçado,
Onde tem milho e feijão,
E pra arrumar uns trocados,
Levarei pra feirinha do sertão,
Pois quero mesmo é trabalhar,
E tomar conta do cercado.

Mj, em 27/11/2018.

domingo, 18 de novembro de 2018

AMADO PARAÍSO

Passando para desejar a todos uma semana ricamente abençoada e cheia de bons fluidos. Boa noite.
Relembro com muito gosto
Da minha infância querida,
Tudo ali tinha vida,
E brincadeiras pra inventar,
Montar no cavalo feito de pau,
Quengo de coco seco,
Amarrado num varal,
Pra andar na estrada empoeirada,
Embaixo do céu iluminado,
Ouvindo o passarinho cantando,
E celebrando a alegria de voar,
No amado paraíso,
Vendo a flor desabrochar,
Seu primeiro botão de rosa,
Naquele jardim florido,
Onde o dia já raiou,
E despertou o sol também,
Fora ali construído,
Um ninho de amor,
Naquele castelo de sonhos,
Pintadinho de amarelo,
Mas não durou muito tempo,
O mesmo desmoronou,
Deixando aparecer o cansaço,
No rosto de um inocente,
Retirando o que tinha de atraente,
Desvendando segredos de um bem,
Possuidor de viços no olhar,
Dono de um coração fervoroso,
E recheado de atitude,
Capaz de encantar como ninguém,
Porém o tempo passou rapidamente,
Tornando-se medroso e abatido,
E o vento fez questão de espalhar,
As pétalas secas dos roseirais,
Sem ter mais capacidade,
De enfrentar os arroubos da juventude,
É o que diz um curioso na escrita,
Versista e matuto do sertão,
Que a cultura outrora escondida,
Desprovida de boa educação,
Hoje brota livre e com fervor,
Sem saber quem foi o vivente,
Que a fez crescer com precisão,
Servindo de exemplo a toda gente.

Mj, em 18/11/2018.