Num veleiro em alto mar,
O rouxinol, sua esposa e o filhote,
Enrolado num capote,
Procuravam uma casa para comprar.
Encontraram entre as folhagens,
Um sobrado enorme e muito belo,
Porém eles foram avisados pelo vendedor,
Que o castelo era mal-assombrado,
E lá dentro havia um fantasma.
Os compradores, vindos do estrangeiro,
Sofriam fortemente de asma,
Bem como dos dentes sisos,
Que doíam noite e dia sem parar.
Eles não se importaram com o aviso,
Num instante arrumaram os ninhos,
E de improviso se mudaram.
Um terrível raio iluminou o ambiente,
Sem falar no estrondo do trovão,
Correram para acender a lareira,
E viram sangue derramado no chão,
Na sala uma tabuleta escrita,
“Consultório de Odontologia”,
E numa velha cadeira estava,
O cirurgião terrivelmente indignado,
Por ter visto um espectro pavoroso,
Com olhos avermelhados,
Na boca, um dente pendurado,
Arremessando travesseiros pela escadaria
Para afugentar os visitantes intrometidos
Que voavam orando o rosário milagroso.
Isso foi um santo remédio,
O fantasma desapareceu,
Para ler um livro empoeirado.
Mj, em 10/10/2021.
Vem que ainda dá tempo de apreciar as flores no jardim, sejam bem vindos e sintam-se abraçados.
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quinta-feira, 28 de outubro de 2021
quarta-feira, 28 de abril de 2021
REALIDADE OU ILUSÃO
Há muitos e muitos anos, numa época distante, ruas, becos e avenidas eram repletas de gente e de automóveis, apesar de juntos e misturados ninguém parava para cumprimentar o próximo, não havia diálogo, andavam cabisbaixos, os olhos voltados para os relógios e aparelhos eletrônicos de última geração, para as notícias do mercado de capitalização, poder, ódio dos menos favorecidos, cobiça, luxo, riqueza, comilança, festas, xingamentos, traições, rivalidades, preconceitos, inúmeros conchavos e acordos ao bel-prazer, comércio abarrotado de bugigangas com valores altos para quem pudesse comprar.
E sobre a natureza?
- Quem é essa senhora que não fora devidamente apresentada?
Ninguém a conhecia, a preocupação maior sempre foi o desmatamento descontrolado, encher os canais, rios, lagoas e oceanos com lixos de várias categorias, então quando chovia o povo se alarmava com as enchentes e a destruição que ela causava, mas isso acontecia porque a própria mãe natureza cobrava seu espaço ocupado pela ganância do ser (des) humano que não se contentava com o que tinha, queria mais e mais.
- Mas não é só o vinho que deixa um amargo sabor!
Coitados dos animais, eles viviam em alerta máximo, pois além das quedas ainda tinham que aguentar os coices do fogaréu tomando a liderança e alastrando-se, destruído toda vegetação rasteira e costeira das florestas, tudo isso pela maldade causada no muro da impunidade humana.
Coitados dos animais, encurralados na imensa nuvem de fumaça, naquele momento eles nada podiam fazer contra a força brutal empregada pelo homem sem coração, não tinha quem os socorresse do perigo da escuridão, ficavam a mercê dos bombeiros, homens humanitários que faziam de tudo para salvar alguns deles, e das chuvas enviadas do céu para renascerem das cinzas.
- Pobres mortais cegos e ignorantes!
Também naquela época, o espaço sideral fora preenchido com naves espaciais para descobrirem novos planetas habitáveis, aviões multicolores cortavam os céus, suas luzes se misturavam com o brilho das estrelas, ninguém sabia quem era o que.
Cadê os cumprimentos, abraços e beijos?
- Sumiram!
Por onde andavam as famílias, será que elas existiram propriamente, ou fora ilusão?
- Existe família perfeita neste mundo? As brincadeiras com os filhos, as reuniões ao redor da mesa do almoço e jantar, o chá, o cafezinho, enfim, perderam-se no tempo e no espaço!
O amor existia?
- No coração de alguns, sim, existia e ainda existe o amor verdadeiro, outros, no entanto, o confundiram e confundem com paixões avassaladoras, porém passageiras!
Mais adiante, quando muitos se julgavam os “reis e as rainhas da cocada preta”, e por ironia do destino, se é que existe, eis que apareceu uma novidade inesperada, a mídia escrita e falada divulgou algo diferente que abalaria a estrutura do mundo.
- Sim, lembro-me bem desse episódio, uma convidada especial chegou de mansinho, às escondidas e na calada da noite, registrou-se com o nome de COVID-19!
É verdade, ela não gostou de fixar residência num só lugar, de repente descobriu que podia viajar tranquilamente pelos países sem ser perturbada, tratou de confeccionar o passaporte com o nome de PANDEMIA, pegou sua mochila, voou pelos ares e se espalhou pelos quatro cantos do planeta.
- Meu irmão pense num “labafero do troço”, foi um corre-corre de arrepiar!
Dona Pandemia fez um estrago tão grande nas estradas, e não restou pedra sobre pedra, pois os que se julgavam sãos, adoeceram, deram entrada nos hospitais...muitos não resistiram, outros escaparam, restando as sequelas...
- Num instante os habitantes descobriram que tinham casas, pais, mães, maridos, esposas, filhos, enfim, uma família para se apoiarem!
Havia os descrentes daquela história mirabolante, os chamados “negacionistas”, os que não acreditavam na ciência, uma verdade relativa aplicada no “ceticismo” na constante busca do conhecimento, totalmente diferente daqueles que não se conformavam com aquela situação, alguns metidos a valentes foram para as ruas, deram com “os burros n’água”, pois os alertas estavam por toda parte, o medo daquela guerra invisível dizimou corações, os olhos deixaram de sorrir, lágrimas foram derramadas, inclusive os poetas escreveram sobre esse tempo, mas isso é outro caso.
- Quem sou eu? Qual é a minha verdadeira identidade? Por que estou aqui? De onde vim? Para onde irei?
No meio dessa tempestade toda, sabe-se que houve uma limpeza no planeta...
- Sim, passaram-se décadas, e se foi farsa ou não, cedo ou tarde o próprio tempo dará a resposta exata, porém faz-se necessário viver com coragem e manter vivo o sonho da liberdade!
E sobre a natureza?
- Quem é essa senhora que não fora devidamente apresentada?
Ninguém a conhecia, a preocupação maior sempre foi o desmatamento descontrolado, encher os canais, rios, lagoas e oceanos com lixos de várias categorias, então quando chovia o povo se alarmava com as enchentes e a destruição que ela causava, mas isso acontecia porque a própria mãe natureza cobrava seu espaço ocupado pela ganância do ser (des) humano que não se contentava com o que tinha, queria mais e mais.
- Mas não é só o vinho que deixa um amargo sabor!
Coitados dos animais, eles viviam em alerta máximo, pois além das quedas ainda tinham que aguentar os coices do fogaréu tomando a liderança e alastrando-se, destruído toda vegetação rasteira e costeira das florestas, tudo isso pela maldade causada no muro da impunidade humana.
Coitados dos animais, encurralados na imensa nuvem de fumaça, naquele momento eles nada podiam fazer contra a força brutal empregada pelo homem sem coração, não tinha quem os socorresse do perigo da escuridão, ficavam a mercê dos bombeiros, homens humanitários que faziam de tudo para salvar alguns deles, e das chuvas enviadas do céu para renascerem das cinzas.
- Pobres mortais cegos e ignorantes!
Também naquela época, o espaço sideral fora preenchido com naves espaciais para descobrirem novos planetas habitáveis, aviões multicolores cortavam os céus, suas luzes se misturavam com o brilho das estrelas, ninguém sabia quem era o que.
Cadê os cumprimentos, abraços e beijos?
- Sumiram!
Por onde andavam as famílias, será que elas existiram propriamente, ou fora ilusão?
- Existe família perfeita neste mundo? As brincadeiras com os filhos, as reuniões ao redor da mesa do almoço e jantar, o chá, o cafezinho, enfim, perderam-se no tempo e no espaço!
O amor existia?
- No coração de alguns, sim, existia e ainda existe o amor verdadeiro, outros, no entanto, o confundiram e confundem com paixões avassaladoras, porém passageiras!
Mais adiante, quando muitos se julgavam os “reis e as rainhas da cocada preta”, e por ironia do destino, se é que existe, eis que apareceu uma novidade inesperada, a mídia escrita e falada divulgou algo diferente que abalaria a estrutura do mundo.
- Sim, lembro-me bem desse episódio, uma convidada especial chegou de mansinho, às escondidas e na calada da noite, registrou-se com o nome de COVID-19!
É verdade, ela não gostou de fixar residência num só lugar, de repente descobriu que podia viajar tranquilamente pelos países sem ser perturbada, tratou de confeccionar o passaporte com o nome de PANDEMIA, pegou sua mochila, voou pelos ares e se espalhou pelos quatro cantos do planeta.
- Meu irmão pense num “labafero do troço”, foi um corre-corre de arrepiar!
Dona Pandemia fez um estrago tão grande nas estradas, e não restou pedra sobre pedra, pois os que se julgavam sãos, adoeceram, deram entrada nos hospitais...muitos não resistiram, outros escaparam, restando as sequelas...
- Num instante os habitantes descobriram que tinham casas, pais, mães, maridos, esposas, filhos, enfim, uma família para se apoiarem!
Havia os descrentes daquela história mirabolante, os chamados “negacionistas”, os que não acreditavam na ciência, uma verdade relativa aplicada no “ceticismo” na constante busca do conhecimento, totalmente diferente daqueles que não se conformavam com aquela situação, alguns metidos a valentes foram para as ruas, deram com “os burros n’água”, pois os alertas estavam por toda parte, o medo daquela guerra invisível dizimou corações, os olhos deixaram de sorrir, lágrimas foram derramadas, inclusive os poetas escreveram sobre esse tempo, mas isso é outro caso.
- Quem sou eu? Qual é a minha verdadeira identidade? Por que estou aqui? De onde vim? Para onde irei?
No meio dessa tempestade toda, sabe-se que houve uma limpeza no planeta...
- Sim, passaram-se décadas, e se foi farsa ou não, cedo ou tarde o próprio tempo dará a resposta exata, porém faz-se necessário viver com coragem e manter vivo o sonho da liberdade!
Mj, em 28/04/2021.
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quinta-feira, 28 de maio de 2020
O AGENTE FUNERÁRIO
Quando o “sarta moita” não vem, manda o secretário!
O telefone toca e alguém atende,- Alôu!
- Alô, desejo falar com o senhor Gerson, ele está?
- Tá falando cum ele!
- Bom dia, senhor Gerson, como vai?
- Vô andando cum os pé no chão e a cabeça apregada no pescoço. Diga lá o qui o sinhô qué...
- Quero conversar com o senhor, pode ser?
- Ói seu moço, pudê num pode qui ocê tá do lado de lá, e eu tô do lado de cá, mai podi dizê o qui qué...
- Aqui é da agência funerária, estamos oferecendo um plano muito bom e com taxa mínima, vimos que o senhor é de idade avançada, sua ficha no mercado é limpa, então, está interessado?
O homem coçou a careca, pensou e após alguns minutos, perguntou,
- Ispera, cuma é mermo teu nomi, fi di Deuse?
- Chamo-me Onofre, Senhor.
- Sinhô Ornofre, poramô do Pai, tá certo qui eu já passei do cabo da boa isperança, mai eu num quero teu prano não sinhô, mode qui eu pretendo vivê mai 300 ano só fazendo raiva pro povo daqui, visse, intonce pesso pra tu num ispaiá puraí não, qui é pra vê si pega, vá vendê tuas coisa notra friguisia, e pra acabá essa ideia de girico, intê mai vê qui eu tenho mai o qui fazê, seu moço!
Por telefone o agente funerário sorriu, agradeceu e desligou, enquanto o pedreiro que trabalhava na construção vizinha, não aguentou, soltou uma gargalhada que quase cai da escada!
Mj, em 26/05/2020.
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quarta-feira, 18 de setembro de 2019
CACHOLA DESMIOLADA
O mundo sem fantasia é como o vento soprando e sem ninguém para sentir a sua força!
Contarei pra você,Sentado nesse cantinho,
Que o abalo da paixão,
Cansado de tanto sofrer,
Desesperou um coração sentido
E de emoção, sucumbiu.
Antes andava sozinho,
Sem ninguém pra amparar,
Voou pra fora do ninho, danou-se,
Esqueceu que não tinha asa,
Pousou num monte de espinho,
No rancho fez uma pausa,
Na causa ali, espetou-se,
Com o dono da casa,
- Aqui tu não vai entrar, atrevido!
Era o que um dizia
Enquanto o outro respondia
- Moço, eu não sou bandido!
- Mas na porta está escrito:
“Proibido a entrada de estranho”,
É por isso que eu me oponho!
- Tirano da língua ferina,
Tu não és nenhum soberano!
- Posso não ser realmente,
Mas tu és cabra do mau,
Se tu desejas entrar no pau,
Periquito de água doce,
Lavarei as minhas mãos,
Mande chamar teu patrão
Pois tu não és possuidor de vintém!
- Chamam-me de passarinho,
Codinome beija-flor,
Trago a semente do bem
Inclusive do amor!
Foi um desespero medonho
Acordando daquele sonho
Trancafiou-se no quintal,
Ficou tão desconfiado
Da vergonha que passou
Que a brabeza sumiu
Indo pra ponte que kaiu
E o fogo que apagou.
Mj, em 16/09/2019.
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quinta-feira, 12 de setembro de 2019
CABRA ABESTADO
É preciso voltar no tempo e encontrar a eterna criança adormecida!
Patrão, Eu vou contar pro senhor,
Que a chuva derramou
Seu velho pranto no chão.
Eu fiquei aperreado,
Minha vista escureceu,
De ver tudinho molhado
Neste mundinho de Deus.
Deu-me logo uma tonteira,
Pois eu estava debaixo
Daquela velha biqueira,
Por essa não esperava,
Eu queria correr
Mas minha perna tremia
Na maior agonia,
Sem poder me consolar,
Pense na confusão
Desse cabra abestado
Pulando de alegria
Que abalou meu coração...
E agora, o que devo fazer?
Mj, em 11/09/2019.
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domingo, 17 de março de 2019
O REI FORMIGUITTO
Ótimo domingo e uma semana cheia de bons fluidos!
Sabe aqueles dias que nos encontramos um pouco chateados de quase tudo um pouco? Pois bem, acordei com uma sensação estranha e não quis permanecer entre quatro paredes, resolvi sair para observar principalmente a natureza, no céu havia uma lua gigante provocando a aurora boreal cheia de cores iluminando o grosso gelo da terra, mais adiante, uma família de ursos que estavam famintos há muitos meses, mas eles continuavam fieis a esperar o retorno de um amigo querido, um deles observou o voo rasante de uma garça que pousou linda e garbosa, ela estava testando as suas pequenas asas, daí meu pensamento fez uma retrospectiva e bem que eu queria retornar ao passado ao menos num momento para rever aos que lá deixei, e declarar os meus sentimentos, porque as mudanças fazem parte da vida de qualquer espécie.
Ah, pensamentos, parece que você adivinhou porque neste exato momento eu me lembrei de um episódio ocorrido, uma mãe saudosa e chorosa em forma de desabafos um dia me procurou e fez-me ler as pequenas letras arredondadas, “...Filho, costumam dizer por aí que relembrar o passado é viver duas vezes e sofrer sei lá quantas. Estava vendo o álbum de fotos, repassando página por página desde seu nascimento, até os dias atuais, e quantas alegrias você trouxe para mim e para o seu pai! Lembrei também que quando nasceu eu vivia com você nos hospitais, sofrendo e sem lhe deixar um só segundo, jamais, pois entendo que mãe é mãe e muito mais do que isso. Os anos foram passando, aí você cresceu, lhes ensinamos tudo para que fosse um homem decente, não lhes faltou nada, pensávamos mais em você do que na gente. Foi para escola, aprendeu a ler, escrever, contar, e sempre ao seu lado continuei, nas horas vagas brincávamos na rua com bola, de esconde-esconde, aprendi a jogar pião, bola de gude, pipa, amarrava cordão nos carrinhos, eu puxava um e você outro, brincamos até de boto, eu na frente a correr, e você correndo atrás. Ah, meu filho, bons tempos aqueles que não voltam mais! Então relembrei o tempo da minha infância, era de ignorância, mas disso não me arrependo, tinha tanta brincadeira que já nem lembro e hoje, o que resta é saudade. Estudei em colégio público porque não podia pagar mensalidades, e você em colégio particular, sacrifiquei-me o quanto pude para você não deixar de estudar, lhe ensinei o caminho correto a seguir, mas se não aprendeu, ou não quis aprender, isso não é problema meu, é só seu. Lembre-se que passei por grandes dificuldades, e até a faculdade tranquei, muito tempo depois consegui terminar. Outra coisa, meu filho, suas asas cresceram, lhe ensinei a voar, dei exemplos da boa vivência e convivência, para não ver o barco afundar, e hoje vivo na decadência mas sei que a minha consciência está tranquila, no entanto infelizmente só recebo cobranças das coisas que nunca fiz, mas se fiz ou deixei de fazer, foi para você aprender, consertei os seus erros, lhe coloquei na linha, para poder respeitar os cabelos brancos da sua mãe que está velhinha. A bênção, minha mãe! Ora, isso eu não ouço, e nem vejo mais, porque esse foi seu desejo, e no meu aniversário, ou data em que se comemora o dia das mães, você nunca me telefonou, quanto mais um abraço do lugar que você mora, aliás eu não sei o seu endereço, e para cá, imagina, também não viajou. Lembre-se de que sempre lhe falei, que você só saberá o valor de uma mãe quando eu aqui na terra não existir mais, e pelo que eu saiba você tem filhos, pense nisso, e quem sabe, um dia eu possa esquecer de tudo isso que passei lá atrás. Obrigada, meu filho...”
Na época que a referida mãe mostrou-me seus desabafos, eu chorei como um bezerro desmamado e hoje tornei a chorar, não venham me dizer que o homem não chora, porque isso é tabu, o homem verdadeiro que cultiva sentimentos benignos guardados no peito, chora sim, e por causa disso algumas pessoas me chamam de louco, porém afirmo que não sou louco, por outro lado um pouco de loucura ou bom senso não fará mal para ninguém, eu sou, na minha simplicidade um eterno apaixonado pela vida desprovido de alegorias, porque quero envelhecer com lucidez e sabedoria enchendo principalmente o meu coração de alegria venturosa, apesar da minha alma invernada, assim continuei a minha peregrinação até sentir que fui picado por algum inseto, levantei a perna da calça e constatei uma formiga agarrada a minha carne, olhei ao redor e vi realmente que tinha adentrado em terras desconhecidas, retirei a formiga da minha perna e procurei me afastar um pouco do local, havia muitas formigas pretas indo e vindo com alimentos e entravam num grande castelo de areia amarelada, ao lado passava um córrego de água transparente, tenho certeza de que é ali que elas matam a sua sede, pensei, de repente avistei uma enorme formiga de pé na porta do castelo falando alto, chamando as companheiras para uma reunião de emergência, e todas em sinal de obediência escutavam as palavras do grandalhão,
- Venham cá todas vocês, suas molengas, bradava a furiosa formiga, o tempo urge, visitei o armazém, contei os dias de trabalho e vi que o estoque de comida está fraco, o que anda acontecendo por aqui?
- Não anda acontecendo nada, senhor, estamos trabalhando como foi determinado, porém queremos um pouco de descanso, respondeu a valente formiga preta que se encontra lá atrás das outras, coitada, ele tremia de medo, mesmo assim não queria ser inferior.
- Quem ousa me desafiar com tanta prepotência? Perguntou o chefe procurando de onde saíra àquela minúscula voz, sem obter resposta, então ele virou-se para todos os presentes, eu sou o Rei Formiguitto, tenho autonomia de mandar em todo condado, essas terras pertenceram aos meus pais que herdaram dos meus avós, que antecederam os meus tataravós, os quais receberam dos meus escancha vós, e assim por diante, portanto quem manda aqui, sou eu! Caramba, ele fora abruptamente interrompido por causa do barulho feito por um exército de formiga, elas estavam lutando com a famigerada “dona Cascuda” uma enorme barata lutava com todas as suas forças para se livrar das formigas pretas, mas as suas tentativas não deram certo, cercaram-na de um jeito que ela ficou sem força, então o Rei Formiguitto ordenou que a amarrassem e deixassem a mesma trancafiada no calabouço, assim foi feito. Pouco depois o rei ordenou um dia de descanso para repor as forças do seu exército formado pelas abomináveis formigas pretas.
Da minha parte eu queria ter uma audiência com o referido rei para entrevistá-lo, entretanto fui comunicado de que naquele momento seria impossível uma vez que o Rei Formiguitto fora chamado às pressas para resolver um problema grave, eram "as baboseiras praticadas pelos três patetas, filhos da pátria" que tentavam a todo custo derrubar o seu reinado, e segundo as informações colhidas por uma formiga fofoqueira, os tais patetas estavam fazendo leis e reformas para destruírem o país sem o conhecimento do povo, mas segundo a dona formiga após o regresso do rei eu seria comunicado e então finalmente teria a entrevista almejada.
Mj, em 01/12/2016.
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segunda-feira, 26 de novembro de 2018
ENCONTRO COM A LAGARTIXA
Tudo tem a sua hora certa...boa noite.
Não há razão para negar,Que naquela noite tristonha,
Andava um pouco abatido,
E até desanimado,
O coração vagabundo,
Batia forte no peito,
Sem ter nenhuma vergonha,
Encontrou-se com a lagartixa,
Tornou-se tudo engraçado.
Ela sonhou que estava,
A passear na janela,
Rodeou pela porta,
Pulou na parede amarela,
Tentando encontrar seu amor,
Do outro lado da pista,
A pedir ao sanfoneiro,
Repentista do sertão,
Afamado no estrangeiro,
Tocasse só para ela,
Ligeiro se divertir,
Um forró sem agonia,
Na viola ou bandolim,
Até amanhecer o dia,
Pois amar com simplicidade,
E ser amado também,
A quem a gente quer bem,
É ser feliz de verdade,
Mas se não quiser ver,
A poesia padecer,
Carece de ter a coragem,
De espalhar pelo mundo,
A sua felicidade.
Mj, em 24/11/2018.
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sexta-feira, 5 de outubro de 2018
A VIDA DO NORDESTINO
Pela garra, força e coragem de continuar na luta pela sobrevivência, parabenizo, de coração, o meu povo nordestino! Bom fim de semana.
Bas noite, seu moço, a vida do homi do campo num é lá essas coisa, num sabe, mai eu tava passano pra qui e pra colá, botei as mão nos zóio pra mode inxeigá mio, causo qui pra essas banda o sor tá quente pra daná, e cuma eu tinha lhi prumetido qui ia gravá um vídeo, intão de longe vi uns retrato, num sabe, aí num sabia o qui era aquilo, chamei um muleque, ó minino, vem cá pra mode me dizê se tu cunhece aquela gente, mode qui priciso me prepará pra recebê as visita no arpendre da minha chopana, intonce o meu netim falô qui era tudo dotô formado nas letrinha, e cuma eu num sei lê e nem iscrevê, aí, danou-se, óia eu to arrepindido pra daná de só tê istudado inté parlina mastigô pimenta, e naquele tempo num tinha prefessô de instrução por cá, mai mermo assim eu vim inté vosmicê pra mode agradicê pro causo duma tar de “Imperatris” qui se iscondi lá pros lado das Alagoas, numa cidaderzinha chamada Parmeira dus Indio, falam inté qui ela tamém tá nos retrato, mai eu num cunheço e tenho inté medo de chegá junto dela, pro causo qui ela usa uma tár de muleta, iguarzinho a eu, aí dava pra nois batê um parpo, o sinhô adespois pode mim apresentá pra ela? Ah, i num isqueça, todo domingo eu to isperando o sinhô e essa cambada de minino mai umas minina pra mode nois cumê um sarapaté de pexe, e uma buxada de carangueijo cum farinha seca, e si o sinhô num gostá, eu posso inté fazê um bife do oião ou assá um inspetô de quarterão, e nois come do mermo jeito, cum um bule de café fresco, cuado na horinha, e uma caneca de água do pote pra mode ajudá na digestão. Mai deixa eu contá pro sinhô um causo qui aconteceu cá minha pessoa, abra as oiça pra ouvi, mode qui um certo dia, tava eu sentadinho discansano num banco de praça, aí apariceu um “sarta moita” se dizendo formado e coisa e tár, ele paricia tê uns trinta anos de idade, se num mi ingano, o danado era istudado, com pinta de doutô, tentava me amostrá qui tinha cunhecimento da vida, mai cuma eu num gosto de muito trelelê, arregalei os zóio e dixe:..."Ói, seu Zé, o sinhô pode sê inté dotô, mai eu fui criado na roça limpano mato, amansando cavalo brabo, tirando leite das vaquinhas nos cercados pra mode vendê na cidade, num sabe, e eu num tenho conhecimento de certas coisas, minhas mão tão cheinha de calo, pruquê sou trabaiadô, e cuma é triste chegá a veisse, ispie só, os cabelo vão caino, os zóio incurtando, to inté cum as catarata do Iguaçu, as pernas, coitada, trambicano, cum priguiça de andá, minhas carne tão sumindo, tão aparicendo as vêia, num óio dereito, tá tudo diminuino, crescendo inté as subranceia, as oiça, coitada, não tão boa, pricisa de arguem falá mai arto, minhas zoreia armentando, mai quando era moço, danei-me a passiá, tive muita namorada, o sor tinha um brio ispeciá, adespois o distino me mostrô uma jovem muito bunita, na horinha fiquei apaixonado, casei, meus fios nasceu, tentei educá pra serem mió do qui eu, hoje tou nessa idade, na decadência, agora, se quisé acreditá, o pobrema é seu, mode que a veisse é uma duença, qui dá em tudo qui é cristão, dói as perna, dói os braço, dói os dedo, dói as mão, dói o purmão, dói o ispinhaço e inté o carcasso. Já cunheço a minha condição, já fui minininho e hoje tou veinho, usando cajado nas mão, isperano a sentença chegá, pra mode saí desse lugá...ispi, adespois disso tudin, o homi num quis ouvi mai nada, deu um tiro de carrera, cuma se tivesse um mói de furmiga nas perna! Brigado pru prestá atenção no que inscrevi, viu seu moço, inté mai vê puraí!
Poetisa Mj, em 16/02/2018.
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quarta-feira, 3 de outubro de 2018
JOÃO BAFO DE ONÇA
Boa noite e ótimo descanso a todos.
Vou contar para toda genteDesse sertão de calmaria,
Que fui criado no interior,
Mas nessa bela cidade,
Faça chuva ou sol ardente,
Tenho mestre como guia,
E no improviso eu sou doutor.
Então afirmo com sinceridade,
Que para escrever um cordel,
Não precisa ser estudado.
Seja noite ou dia,
Com lápis e papel na mão,
Escreve-se engraçado,
Faz-se até uma poesia,
Usando a inspiração.
E a estória que narrarei,
Parece uma geringonça,
No entanto é deprimente.
Virgem, que horror,
Eu não gosto de arruaça,
Sairei de fininho,
Porque lá vem João Bafo de Onça
Andando devagarzinho,
Cambaleando na estrada,
Com seu rastro de cachaça,
E o povo que por ali passa,
Não aguenta a tal “manguaça”,
E a catinga de aguardente,
Pois o bicho bebe com força,
No gargalo da garrafa,
Para curar a dor de dente!
Mj, em 19/06/2016.
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quarta-feira, 29 de agosto de 2018
MIMOSA
Tantas vezes escondemos nossas tristezas por trás de um belo sorriso no rosto para continuarmos no picadeiro da vida! Boa noite.
- Janjão, atrele a carroça e busque dezoito palhas de coqueiro no sítio do compadre Bastião, preciso cobrir a palhoça antes do sol se por!- Sim, patrão, é pra já, respondeu Janjão. Muitas horas depois Janjão, cabisbaixo, retorna com a burra e nada das palhas, então o patrão pergunta,
- O que aconteceu, homem de Deus?
- Senhor, explicou Janjão, eu cheguei no sítio do seu compadre, fiz dois lotes com nove palhas, botei na carroça, mas a burra não saiu do lugar, retirei duas de cada lote, restaram quatorze e nada, retirei mais duas de cada, ficaram dez, e nada, daí fui retirando palha por palha, ela olhou pra mim, sorriu, sentou, alisou os pelos e falou,
- Posso ser chamada de burra,
Mas burra eu não sou,
Mimosa é meu nome,
Trate-me bem, por favor! Não é mentira, patrão, gritou o coitado do Janjão, a cabra do vizinho pode provar que estou falando a verdade! A cabra ouvindo aquilo, disse,
- Não negooooooooooo...
- Ora, Janjão, como pode isso, Mimosa nunca deixou ninguém na mão, você além de estar com febre, faz um doido perder o juízo!
- Eu vi! Respondeu a cadela ao lado...
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segunda-feira, 28 de maio de 2018
COMPRESSÃO DOS SENTIDOS
Sinto-me perdido neste corpo esquecido
Não sei o que fazer com a solidão.
Não sei se choro ou se sorrio
Para acalmar o coração sofrido.
Sinto que um enorme vazio
Toma conta do meu ser
E aos poucos mexe com a emoção.
Há um grande desconcerto
E uma leve compressão dos sentidos
Prestes a explodir a qualquer momento.
Vou sair e prosear com amigos
Ordenar meus pensamentos, porque,
Cercam-me por tudo quanto é lado, e,
Quase não posso andar, mas,
Ao passar no caminho ouvi nitidamente
A voz de um passarinho que falou,
- Venha até aqui, por favor,
Eu senti você chegar
Sou da paz e do amor
E minha asa quer lhe abraçar!
Quem é você, perguntei, pois,
Pássaro falador é a primeira vez!
- Doutor, sou um pássaro pobre, replicou,
Não tenho sangue de nobre
Mas sou bom cantador, quer ver,
Cantarei um pouquinho para o senhor!
Este não é lugar para você
Quero-lhe ver voando!
- Sim, eu voei naquela pista,
Mas estava distraído, e,
Quando olhei para o motorista
Machuquei minha asinha
No lado do pontilhão, daí,
Apareceu tanta estrelinha, que,
Vi preá pulando bode
Bem no meio do sertão!
Mj, em 24/05/2018.
Não sei o que fazer com a solidão.
Não sei se choro ou se sorrio
Para acalmar o coração sofrido.
Sinto que um enorme vazio
Toma conta do meu ser
E aos poucos mexe com a emoção.
Há um grande desconcerto
E uma leve compressão dos sentidos
Prestes a explodir a qualquer momento.
Vou sair e prosear com amigos
Ordenar meus pensamentos, porque,
Cercam-me por tudo quanto é lado, e,
Quase não posso andar, mas,
Ao passar no caminho ouvi nitidamente
A voz de um passarinho que falou,
- Venha até aqui, por favor,
Eu senti você chegar
Sou da paz e do amor
E minha asa quer lhe abraçar!
Quem é você, perguntei, pois,
Pássaro falador é a primeira vez!
- Doutor, sou um pássaro pobre, replicou,
Não tenho sangue de nobre
Mas sou bom cantador, quer ver,
Cantarei um pouquinho para o senhor!
Este não é lugar para você
Quero-lhe ver voando!
- Sim, eu voei naquela pista,
Mas estava distraído, e,
Quando olhei para o motorista
Machuquei minha asinha
No lado do pontilhão, daí,
Apareceu tanta estrelinha, que,
Vi preá pulando bode
Bem no meio do sertão!
Mj, em 24/05/2018.
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terça-feira, 24 de abril de 2018
A LÍNGUA
Vê-se mistério e beleza na perfeita camuflagem da natureza! Boa tarde a todos.
- Mãeee, ô mãe!- O que aconteceu, menino?
- Mãeeee, vem cá!
- Que susto, meu filho, o que é?
- Tão espalhando uns boatos por aí, sabe, é sobre a vaca do seu Jura, aquela, mãe, disseram que ela...
- Meu filho, pare com isso, eu não quero saber, e esse assunto não me interessa, lembra-te dos conselhos que te dei: se nos lugares que fores passando e tu veres alguma coisa, deixes para lá; se ouvires, não espalhes a notícia e nem comentes, é melhor calar do que remediar, porque um dia perguntaram: Caveira, quem te matou? E ela de imediato respondeu, a Língua!
- Eitha, mãe, humm, credo, é mesmo, esqueci-me de lembrar...ou será que lembrei de esquecer!
Mj, em 25/03/2018.
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quinta-feira, 19 de abril de 2018
ESTOU DOIDINHA POR VOCÊ
Sorria, você está sendo filmado!
Seu moço preste atençãoNo caso que contarei
É de arrepiar os cabelos
Se isso é lorota ou anedota, não sei,
Só sei que foi desse jeito,
Nisso pode acreditar, que,
Almocei como gente, mas,
Fiquei pelos cotovelos
Triste, cansado, e,
Um pouco empanzinado
Deu-me um sono danado
Sonhei um sonho apressado
Daqueles sonhos medonhos
Deixando-me aperreado
Pior do que serpente, porque,
Uma boca risonha
Pintada de encarnado
Apareceu de repente
Como se fosse feitiço, ora,
Não esperei a criatura
Passar-me nenhum recado
Desorientado, saltei da rede,
Acordei com dor no peito, e,
Todo urinado da vergonha que passei
E quase morro do coração
Com medo daquela marmota, pois,
Ouvi quando ela disse,
Estou doidinha por você!
A carreira foi tão grande que,
Perdi a meia, porém,
Não perdi o sapato!
Mj, em 20/03/2018.
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sexta-feira, 13 de abril de 2018
SEM CONEXÃO
Sorrir faz bem para a saúde...Bom fim de semana!
Do outro lado da praça a mulher observava aquela cena que se repetia constantemente, e sem horário, podia ser manhã, tarde, noite, madrugada, enfim perguntou,- Oi, está tudo bem contigo?
- Meio lá e meio cá, vou indo, mais ou menos...
- Tu estás indo, para onde?
- Não sei ao certo, devo parar em algum lugar...
- Vamos sentar um pouco para conversar.
- Conversar sobre o quê?
- Sobre o que quiseres, podemos falar do tempo, da vida, enfim.
- Mas isso levará tempo e não terás tempo para me ouvir...
- Experimenta...
- Experimentar o que?
- Se eu vou ter tempo para te ouvir, porque este momento faz parte do tempo que tem tempo para ser tempo de outro tempo.
- Se é assim, então está certo, ali tem uma sombra.
- Beleza, vamos lá.
- Bem, cá estamos sentados, e agora?
- Começas tu, ou eu?
- Eu vou começar o quê?
- O que achas da vida?
- Eu? A vida é um trem bom, sim, senhora.
- Só isso?
- Não, tem mais...
- Quer ficar comigo?
- Estou namorando...
- Mas se não tivesse?
- Inventaria outra desculpa...
- Bonito pensamento, eu gostei.
- É? Agora é a tua vez.
- Minha vez, de que?
- Estou esperando.
- Sabes que horas são?
- Sei sim, são dois palitos de dentes e um fósforo.
- Assim não estás me ajudando...
- Perguntaste o que mesmo?
- Perguntei-te as horas
- Aqui tem um palito para cima e outro para baixo
- Qual é o palito que está para cima, é o maior ou o menor?
- É o palito menor.
- E o palito maior está apontado para o meio?
- Sim, está.
- Isso significa que são doze horas e trinta minutos.
- Como sabes disso?
- Porque estou vendo o relógio da parede.
- Ei, assim não vale!
- Vale, sim, vale não, vale sim!
- Cara, mas tu não eras cego de guia?
- Eu? Nunca fui cego, mas,
Nas cores do firmamento
Olho em volta e não te vejo
Do peito sai o lamento
Porque não te dei um beijo.
- Mas ainda não me contaste para onde ias...
- Eu não ia, eu vou mesmo.
- Vais para onde?
- Desenrolar a língua, meu camarada!
Mj, em 09/04/2018.
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domingo, 1 de outubro de 2017
NINGUÉM NASCE ENSINADO
Aos poucos vamos aprendendo o que a vida tem para nos ensinar...Bom domingo.
Ao lado daquela taperaJoão de Barro é morador
Construiu sua casinha
Embaixo do arvoredo
Vizinha a Dona Alfredina
Esposa de Zé Alfredo
E pra contar história
Ela é fera sim senhor
Diz que desde menina
No Nordeste se criou
Sapeca e bem saliente
Acocorou-se no terreiro
Com o coração sossegado
Num sol quente de rachar
E o povo da freguesia
Ligeiro se aproximou
Começou a chegar gente
Até de outro país
Todo mundo querendo ouvir
Um causo que aconteceu
Pros lados do vinhedo
Foi assim que ela contou
E que fique bem registrado
A festa que vi por lá
Tinha um homem sentado
Cabra da peste gigante
O outro em pé a cantar
Com seu gogó afinado
Sabiá pousou no meio
Um pouco desconfiado
Bem te vi não sei se ouviu
Mas de repente pulou
Com seu grito estridente
Olhou de lado e falou
Alegria meu rapaz
Não quero ver você triste
Vamos observar a cantoria
Pois a magia da viola
E do repente quem resiste
Sem falar que aqui tem paz
Muita luz e harmonia
E quando isso terminar
O sonho dourado lhe espera
É como o velho ditado
Nunca pense em desistir
Porque ninguém nasce ensinado!
Palmeira dos Índios, em 28/09/2017.
Acadêmica: Maria José da Conceição
Cadeira: 24
Patrono: Luíz Vaz de Camões
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