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terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

NUVENS ALINHADAS

Se plantando, tudo dá, então basta semear a semente do amor no coração, só assim a paz e a harmonia reinarão no mesmo endereço!
Naquele dia encantado,
Vi algo se remexer perto da clareira,
Corri para ver do que se tratava,
Era o bem-te-vi cantarolando
Na folha da bananeira.
De repente, rufam os tambores,
As nuvens alinhadas,
Carregadas do vento forte,
Aparecem com o véu de chuvas,
Enfeitando o céu nublado
Escurecendo o sertão,
Pois não tem comparação
Da festa realizada pelo raio o trovão,
A população inerte sente a emoção,
E agradece o gesto da natureza
Que fornece o bálsamo da vida
Esparramadas pelo chão do Nordeste.

Mj, em 04/02/2020.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

CORRE ZÉ PERU

Mais um ano que termina, pois o natal se aproxima...
Na caatinga do sertão,
Pavão é bicho misterioso,
Além de ser emplumado,
É colorido e vaidoso,
Exibindo-se facilmente,
Numa dança de salão,
Ele estava aperreado,
Ao falar para o seu peru,
Soluçando na janela,
Da sua enorme frustração,
Pois teve um dedo quebrado,
Lutando com o urubu,
Por causa de uma prenda,
Novinha e bem faceira,
Ela chegou á fazenda,
Requebrando as cadeiras,
Então ficaram encabulados,
Quando a viram na panela,
Para a festa do peão,
E mais que de repente,
Ouve-se de longe um brado,
- Sai ligeiro do milharal,
E corre Zé Peru,
O natal está chegando,
Senão quem vai pra panela é tu!

Mj, em 03/12/2018.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

LAÇO DE FITA

Onde quer que estejas, fiques bem. Um abraço e bom fim de semana.
Morena se tu soubesses,
Como é triste o meu penar,
Vinhas correndo de lá,
Para a gente conversar.
A dor da separação,
Dói demais meu coração,
E por causa da tua partida,
Sem motivo aparente,
Vi-me aperreado,
Demente e sem amor.
Não te faças de rogada,
A rua está enfeitada,
Tem até laço de fita,
Bota aquele vestido de chita,
Parecido com flor de carmim,
Retornes para este jardim,
Murcho e sem colorido,
Que pretendo te abraçar,
E falar ao teu ouvido.
Sei que és pouco apegada,
A este pedaço de chão,
Porém cultivado e limpinho,
Eu te darei carinho,
Sem haver apartação.
Abandonado por ti,
Louco e apaixonado,
Pela festa de mourão,
Nas noites de lua cheia,
Em plena madrugada,
Ou mesmo no clarão do dia,
Correndo na vaguejada,
Num pique desenfreado,
Apanhei insolação,
E sem ter quem cuidasse de mim,
Banhei-me no alambique,
Com medo da solidão.
Embrenhei-me no cercado,
Aprendi a laçar gado,
Na fazenda do patrão,
Tendo apenas a companhia,
Do meu cavalo alazão.

Mj, em 15/11/2018.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

LINHA DE SENTIMENTOS PASSADOS

Tempos idos que jamais serão esquecidos! Bom domingo para todos.
Relembrar o tempo de criança na cidade
É uma tremenda lambança de encantamento
A mocidade não se continha 

Fazia festa com grito
Na via da estação 
Lugar de tantas idas e vindas das pessoas
Quando o trem passava era um show
De carga ou passageiro 
Dia, noite ou madrugada
Longe se escutava o ressoar do apito
...errô, errô, errô...chic tic, chic tic, chic tic...
E no tic tac do relógio o povo acordava
Lá vinha “Maria Fumaça” 
Como trem pagador
Do trabalhador ao doutor 
Ligeiro recebia pagamento
Nem lembro por quanto tempo 
Pulei as emendas
Nas manobras de cada trem que ficava
Bons tempos dos tempos idos, hoje é sonho
Infelizmente me envergonho das ações
Ao lembrar que a linha virou matagal
Dá azia em som labial ver o povo assistir inerte
Porque acabaram com a alegria 
No sertão do Nordeste.
Poetisa Mj, em 24/02/2018.