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sexta-feira, 12 de março de 2021

BICHO MATREIRO

Lá vai o vaqueiro,
Sorridente na estrada,
Montado no seu cavalo,
Pra tanger o gado ligeiro.
Vaqueiro bom de espora
Faz golaço com o touro,
Não tem medo de caipora,
Limpa até bebedouro.
Ele é bicho matreiro,
Separa o bezerro da vaca,
Pega vela e faz aboio,
Corta pau e faz estaca,
Da cana ele faz melaço,
Com o trinco da manivela.
Vaqueiro não é camarão adormecido
Fascinado pelo mar,
Nem tão pouco pássaro ferido
Com medo de voar.

Mj, em 12/03/2021.

terça-feira, 4 de julho de 2017

NAS VEREDAS DO SERTÃO

EMOÇÃO QUE NÃO TEM PREÇO É O TOQUE DO BERRANTE...
Do sul ao norte
Lá vem o caboclo vaqueiro
Montando cavalo de porte
Tangendo o gado leiteiro

Ou de corte
Nas veredas do sertão.
Na boca toca o berrante
Que treme de emoção
Chamando pra que não haja
O estouro da boiada.
Sol a pino
Deixando marcas no chão
Do nordeste brasileiro
Passando na frente
O comboio do trote
Bem rente na estrada
E lá atrás o cozinheiro
Batendo uma caçarola.
Aí venta um vento aperreado
E se o chão tiver molhado
O casco do cavalo atola
Soltando lama pra todo lado.
A noite chega ligeiro
Serena e calma
Como a natureza exuberante
Mas precisa se agasalhar
Procura um lugar tranquilo
Que possa descansar
Acende logo a fogueira
E o charuto
Pra o frio afugentar
E pensando na mulher amada
Pega a viola pra espantar a tristeza
Na certeza do dever cumprido.

Poetisa Mj, em 04/07/2017.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

O ANDARILHO

Andarilho meu amigo
Ouça bem o que lhe digo
Eu ando sozinho a vagar
Perdido com meus pensamentos
E talvez esteja sendo castigado
Porque sonhei acordado
Alguns deles eu pude realizar
Os outros eu nem lamento.
Só sei dizer que nasci
E cresci no meio do mato
No torrão seco da caatinga
Dormi no chão puro
Tendo as estrelas como cobertor
E pra não passar fome
Fiz de tudo um pouco.
Não estudei na escola de bacana
Porem não sou ignorante
E nem tão pouco um banana
Pois foi com o aprendizado da vida
Que adquiri sabedoria.
Mas aqui dentro do sertão
Eu tanjo gado leiteiro
E ainda ajudo meu irmão
A colocar um roçado
Nas terras do fazendeiro.
No entanto hoje é diferente
O dia está terminando
E não me sinto vencedor
Vou pra casa descansar
Sozinho e sem amor
Porque a mulher que eu amava
Arranjou outro e me deixou
Numa profunda solidão.
E pra terminar meu relato
É errando que se aprende
Com as dores do coração.

Poetisa Mj, em 07/04/2017