quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A MÁQUINA DO TEMPO

A máquina do tempo chamada recordação fechou a porta mas o vento não foi o causador dessa batida, e como passageiro da agonia na viagem do sonho perdido, ele viu as nuvens dispersarem-se no ar nas grandes noites frias, o inverno era pesado, arrebatador, os ventos do lado sul sopravam a todo vapor para o norte, sentiu a sua alma chorar numa grande aflição porque foi descartado abruptamente, no entanto, pairando no ar insistentemente ele resolveu bater naquela porta mais uma vez e sem obter resposta retirou-se dali de cabeça baixa caminhando em silêncio por alguns instantes em direção ao ocaso, mas ao longe ouviu o solfejar de uma antiga canção fazendo-o dormitar embalado e inspirado nas cordas do violão, então relembrou outros tempos, os momentos tão bem vividos, pelo menos para ele mesmo, uma vez que naquela época misturou sonhos, amor e paixão pensando ser o favorito daquela mulher, porém enganou-se redondamente na própria equação da matemática, e não precisava ir tão longe bastava somar dois mais dois que o resultado sairia rápido já que a amada deu-lhe as costas, entretanto quis solenizar a todo custo o romantismo como cantor de opereta e lauto foi o seu repertório em um farto significado para o apreciador da boa música, mas faltou público, e não era possível ter feito tudo errado, somos algo para ser reciclado, e aqui ninguém perdeu, também ninguém ganhou, não havendo vencido e nem vencedor, assim é a vida e sempre será um grande recomeço, pensou ele, então finalmente cansado e desiludido deixou de lutar sentindo o peito estremecer, caindo numa profunda apatia, perdendo o brilho do olhar e o corpo definhando gradativamente fazendo com que o coração surrado acalmasse para sempre sem ter a oportunidade de uma próxima investida.

(Escritora Mj...05/10/2016)

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