domingo, 26 de fevereiro de 2017

O BURRO E A SUA SABEDORIA

- Qual é o seu nome moleque?

- Juvêncio, senhor!
- De onde você vem serelepe?

- Eu venho de casa, senhor!

- E para onde vai na carreira?

- Eu vou trabalhar com meu pai ao pé daquela serra, apontando o local, lá tem uma palhoça que pertence ao meu avô Januário, senhor!

- O que é isso no seu pescoço?

- No meu peito eu carrego o rosário, senhor! Ao meio dia, Juvêncio retorna da roça suado feito um gambá e numa carreira só, como era seu costume para chegar mais rápido em casa, e novamente encontra com o senhor José, conhecido por “Zé”, que continuava sentado na praça e assim que vê o menino, o interpela para saber como foi no trabalho, e após contar os detalhes das suas façanhas, o menino pergunta,

- Seu Zé, burro fala?

- Que marmota é essa, menino? Não, nunca vi um burro falar, ou qualquer outro animal, mas porque você perguntou isso, anda, me diz!
- Porque eu vi um falando sozinho agora mesmo, ali na esquina, seu Zé.

- Virgem santa, então você sonhou, e o que ele falava e com quem?

- Bem, eu ia passando e o burro estava com a cabeça para cima, olhando para o céu, como que pedindo clemência, aí apareceu um doutor das letras rodeando ele, puxou a cabeça do mesmo para baixo, fixou os olhos nos olhos do animal, e disse na orelha do burro, “voz de burro não chega aos céus”, e o coitadinho murchou as orelhas, então foi pastar, mas ao sair, olhou para trás e respondeu para o doutor,

- Pensam os sábios que são sábios o suficiente para saber o que existe entre o céu e a terra, porque a melhor e a mais poderosa arma contra o inimigo, ainda é a oração, e aquela frase, seu Zé, chamou a minha atenção.

- Ô, situação difícil de explicar, replicou o Zé, mas o burro tem razão, Juvêncio, e aí está uma grande lição de sabedoria, muitos pensam que sabem alguma coisa, porém eles não sabem e nem entendem nada... Assim o menino serelepe foi para casa matutando na cabeça as palavras do amigo, porque naquele mesmo dia aprendera mais um ditado popular e uma lição de vida.



Escritora Mj, em 26/02/2017, em A Fábula do Burro

sábado, 25 de fevereiro de 2017

LIÇÕES DE VIDA

- Menina, dizia sua mãe, a vida é um eterno aprendizado, ninguém nasce sabendo das coisas e para ser uma pessoa decente, tem que sofrer antes, por favor, entenda, porque isso engana muita gente, pois quando eu tinha a sua idade também me enganei mas aprendi com o tempo, se estás aqui, aproveitas e aprendes porque dentro da tua mente tem uma pequena semente plantada a qual começa a germinar, e um dia, quem sabe, vais desfrutar dela como profissão, vamos, desenvolve essa arte porque vai chegar um tempo que não estarei mais ao teu lado, tens sete anos, ainda és muito bobinha e comeces a praticar, pega esta agulha de aço que coloco nas tuas mãos, e este novelo de cordão, deixas de lado o cansaço, não fiques zangada quando falo brava contigo, enrolas no dedo e das um laço, prestes bem atenção aos conselhos que te dou...
Escritora Mj, em 25/02/2017 - Conselhos e Ensinamentos

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

MINHA MUSA INSPIRADORA

Os teus lábios, meu amor
Prepara a taça preciosa
Desse vinho incolor
Que me deixa com vontade
De saboreá-lo com carinho
E num abraço forte
Apertar-te ao peito
Querendo tremer e sentir
Sonhar e dormir nesse ninho
Então cá do norte vejo-te partir
Como a estrela cadente
Andando com teu jeito moleque

Fazendo-me subir nas alturas
Carregando no olhar um sorriso
Que eu abria ardente o leque
Como o fogo em brasa
Sentindo-me cheio de desejo
Mas a cena foge torta
Deixando a alma outrora serena
Sofrendo de desgosto
Numa tremenda rebeldia
Porque não tenho coragem
Pra declarar ao mundo
Em segredo de Estado
O que sinto por ti
Então faço gritar 

Através desse verso
Pra que chegue ligeiro
Aos ventos do universo
As palavras que brotam do coração
E dizer ainda que tu és
A minha musa inspiradora
A tentação dos meus instintos
E a minha grande motivação.
Queria poder falar que largaria tudo
Pra viver só contigo 

Numa cabana qualquer
Porém se esvai a valentia
Deste pobre coitado
Sofredor das amarguras
E como não tenho esse poder
Vejo-te de longe na passarela
Oh, minha linda donzela!

Escritora Mj, em 23/02/2017

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

GOSTARIA DE TER RAZÃO

A vida é igual a um bruto diamante
Ela cresce linda e brilhante
Mas quando cai, nem parece
Quebra-se de susto em mil pedaços
Espalhando-se na areia
Sem ter quem saiba consertar
E eu, gostaria de ter razão
Ao pensar que as árvores
Não reclamam do solo seco e doente
Porém sei que elas sentem
O estrago na natureza
Que antes era bela e formosa
E hoje chorosa
Reclama da terra sem liga
Pois passam o trator com tudo
Retirando a sua beleza
Além dos agrotóxicos potentes
Sem falar no fogaréu
Que faz chorar o céu de tristeza.
Gostaria de ter razão
Ao pensar que é preciso
Regar as flores no jardim dos sentimentos
Para que também não pereçam
Na escuridão do infinito
Entretanto os meus pensamentos
Levam a crer que a solidão
Fala mais alto traindo o coração
À espera de algo mais
Ou da essência propriamente dita
Mas isso é regalo da alma sofrida
Na destruição do corpo em vida
Porque a razão é um mistério encantado
Que a própria razão desconhece.


Escritora Mj, em 22/02/2016

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

ALMA VELEJANTE

Mistérios encantados que não serão decifrados...
Deixa-me rastejar com a minha dor.
Deixa-me chorar por um momento
Esta angústia desenfreada
Que toma conta de todo o meu ser.
Deixa-me esvaziar o peito disforme
Talvez assim consiga um pouco de alento
Diante das amarguras adquiridas
Por todo o tempo vivido.
Sou uma partícula do sereno

Na fria madrugada
Água que escorre e seca com o vento
Apenas um ser errante a flutuar
Que se fez incompleto pelo medo
A esmo na estrada vazia
Outrora ultrapassada.
Um tudo do nada que passei
Uma estimativa supostamente conjeturada
Sem forma, sem freio e sem travão
Que não conheceu o fim da montanha
No vão da distância percorrida.
Assim sai velejando sozinho a remar
Nas lembranças do pulmão da alma
Dentro de um barco a singrar
Contando as histórias do passado.

Escritora Mj, em 20/02/2017

domingo, 19 de fevereiro de 2017

CARNAVAL DA FOLIA

Preserve a vida, pois álcool e direção não combinam.
Chegando pra contagiar
E escrevendo palavras soltas
Pois no tempo que era moço
Na livre infância querida
E no desabrochar da juventude
Estampada no rosto
Uma alegria contagiante
Brincava carnaval na folia
Com euforia desenfreada
Bem no meio da poeira
Enfeitada de confete e serpentina
Onde a Colombina
Cheia de charme
Dançava com Pierrot
Pensando no Arlequim
Três dias sem parar
E só saía de lá
Na quarta-feira de cinza
Sem poder andar.

Escritora Mj, em 19/02/2017

sábado, 18 de fevereiro de 2017

CHÃO DE ESTRELAS

Daquele quarto amarelo
Na caatinga do sertão
E através do chão de estrelas
Vi o luar tão belo
Que abalou meu coração
Então me lembrei de ti
Deitei e adormeci em seguida
Sentindo teu cheiro ao meu lado
Virei e te abracei
Ou foi tu quem primeiro me abraçou
Não sei
Só sei que me deliciei
Com o gosto do teu beijo
E no aconchego dos teus braços
Senti a sensação de liberdade
Pairando no ar.

Escritora Mj, em 18/02/2017