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domingo, 16 de setembro de 2018

A FESTA DO SERTÃO

Um dia festivo a todos.
O sol irradia do leste ao oeste,
E o reflexo da alegria contagiante
Invade o coração do nordestino,
Filho de “cabra da peste”.
Ninguém perde aquela velha tradição
De se preparar de janeiro a junho,
Estendendo-se no mês de agosto.
Na estrada tem a fogueira enfeitada,
O balão sobe numa eterna brincadeira
Da meninada no alpendre a saltitar.
A mulherada chega toda faceira,
Esboçando o sorriso no rosto pintado,
E fica ali a esperar para dançar forró.
O tempo pode mudar na noite de São João,
Mas ela procura um par e rodopia no salão.
Não há cansaço, e de madrugada,
Pega de mão a enxada para trabalhar
Sem pensar no amanhã,
Porque de tarde quando retorna da rocinha,
Começa a festa anestesiante da mocinha,
E de manhãzinha posso afirmar,
Com a exatidão da palavra,
Que vi a onda do mar chegar rente à cidade,
Então morrerei contente porque vivi
Sentindo no peito a saudade de outrora,
Onde renasci e cresci como gente.

Mj, em 07/09/2018.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

COISAS DO SERTÃO

Poema extraído do livro O Universo de Maria, desta escritora alagoana.
Descrever o sertão, não é fácil
Tem de tudo e um pouco mais
Talvez por ser diferente de outros locais 
Vamos ver o que sai
Tem mulher bonita, formosa 
Elegante, faceira, homem decente
Vaqueiro vestido de gibão 
E chapéu de couro, sem besteira
Tem palmeira, sabiá, canto, poesia, professor 
Da viola ao trovador
Artista de cinema, cantor
Jornal, televisão, escritor
Zé do Rojão 
Pra quem quiser saber quem foi
Pandeiro, bandolim, sanfona, 
Violão, pimenta, carvão 
Pra ver até onde aguenta, sem vergonha
Fevereiro tem carnaval 
Pro povo brincar aliviado
Coco, bambu, cipó de pau 
macaxeira, carro de boi
Carroça de burro 
Fazendeiro, algodoeiro, usineiro
Jabuticaba, jaca, melancia 
Manga de todo jeito
Se um dia quiseres vir passear 
Disso tudo provarás
Sem falar nos mananciais, praias maravilhosas
Porque aqui é a terra dos marechais, sem faltar
Em junho tem milho assado 
Cru, cozinhado, pamonha
Canjica, batata doce, tapioca 
Mungunzá, bom demais
Feijão verde na roça e na feira 

Também irás encontrar
A fogueira é feita com lenha

E acesa às 18:00 horas em ponto
Há quadrilha pra todo lado 
Roda de coco, xaxado
Bananeira, amendoim, maçã 
Caju, castanha, juazeiro
Goiaba, capim, cana, fumo, candeeiro 

Acredite ou não
Também tem Maria Bonita e Lampião

No Nordeste brasileiro
Tem paçoca, rapadura
Pé de moleque, tabuleiro
E não falta poleiro pro galo poder cantar
Doce, cocada, beiju, sarapatel, carne de porco
Siri, camarão, caranguejo 
Buchada de bode, pirão
Tripa assada, mocotó 
Feijoada, quentão, misturada
Raspa de queijo, quebra-queixo, brasileira
E pra terminar a
firmo que os nordestinos 
São bons e hospitaleiros
O convite tá feito, sim, senhor, venha pra cá
Eu mesmo mostrarei todo lugar!

(Mj, em 15/09/2014)

Poetisa e escritora Mj, em 02/06/2017.