quinta-feira, 25 de maio de 2017

CORDEL DO INTERIOR

Sou um pobre coitado
Criado no interior
Na seca terra do sertão
Vivendo com meu amor
Na choupana ali ao lado
À toa falo trocado
As letras do alfabeto
Porque não tive por perto
Professor de instrução.
E se bem me lembro
Foi no mês de setembro
Que conheci o doutor
Naquela roda gigante
Pulando feito um danado
Lá fiquei todo inchado
E o senhor me curou.
Pois comida de pobre é bucho
Farinha, milho e feijão
Às vezes pela andorinha
Quando pega de alçapão.
Mas no domingo come avultado
Galinha de capoeira
Com farofa e macarrão
Feita na banha de porco
Adoece de atrevido
Então dá-lhe desgosto
Igual barão ter comido.
De noite tem caganeira
Caindo suor do rosto
Sem falar no espinhaço
Doendo até o ouvido
E assim vive um roceiro
Pra não passar precisão.
E já me vou disparicendo
Ispiem de lá se ainda tou
Olhem pra dentro do seu raidão
Se não é outro locutor!



Poetisa Mj, em 25/05/2017

OBS: Escrevi este poema em, 02/04/2016.

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